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Priorizando locais para a instalação de equipamentos de radioterapia no Brasil com índice de escassez de LINACs

Utilizando dados oficiais, como as estimativas de câncer 2020 do Instituto Nacional do Câncer, o censo de radioterapia 2019 do Ministério da Saúde, os relatórios de progresso do programa de expansão de radioterapia do Ministério da Saúde e do banco de dados Fundação Oncocentro de São Paulo do Câncer Registro Hospitalar do Estado de São Paulo o índice de escassez de LINACs (LS index) foi desenvolvido.

Com o LS index as regiões e estados brasileiros foram ranqueados considerando-se a escassez de radioterapia possibilitando identificar os locais prioritários para instalação de aceleradores lineares.

O LS index nacional foi de 221 (ou seja, 121% abaixo da capacidade de radioterapia necessária). O LS index foi inadequado em todas as regiões do Brasil, sendo maior (mostrando maior escassez) nas regiões centro-oeste (326), norte (313) e nordeste (237), em relação às regiões sudeste (210) e sul (192). Além da capacidade padrão de 450 pacientes por ano por máquina, o LS index também foi calculado considerando diferentes capacidades de atendimento (600 ou 700 pacientes por ano) mostrando-se uma ferramenta que pode ser adaptada conforme a realidade tecnológica e demais peculiaridades de cada local.

A seguir o LS index foi comparado com dados do mundo real. Primeiro com a distância percorrida até a radioterapia por 123.000 pacientes tratados no estado de São Paulo num período de 10 anos. Foi observada uma associação entre o LS index e o número de pacientes que viajaram para receber radioterapia em São Paulo (p<0,0001). Pacientes procedentes das regiões norte, nordeste e centro-oeste, percorreram distâncias médias significativamente maiores para receber radioterapia em São Paulo do aqueles oriundos das regiões sudeste e sul. O número reduzido de aceleradores lineares nas regiões de origem foi associado à maior distância percorrida (p=0,032). Como última etapa, o LS index foi comparado com a lista de projetos concluídos dentro do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS – PERSUS. Considerando os 44 novos aceleradores lineares com licença de operação no relatório de dezembro, apenas seis (14%) foram instalados nos dez estados com maior prioridade, de acordo com o LS Index.

Conclusão: Foi observada uma discordância substancial entre a distribuição dos casos de câncer e a disponibilidade dos aceleradores lineares no Brasil. O LS Index é uma ferramenta elaborada para ajudar a priorizar o desenvolvimento da infraestrutura de radioterapia no Brasil, podendo ser utilizada e adaptada conforme as necessidades de outras regiões e países.

O artigo está disponível na íntegra em: https://authors.elsevier.com/c/1ekuW5EIIgH-DF

Dr. Gustavo Arruda Viani
Professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Departamento de Imagens Médicas, Hematologia e Oncologia da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Brasil.

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