Recentemente, regimes de ultra-hipofracionamento têm sido investigados como alternativa mais curta e potencialmente mais conveniente para os pacientes.
O estudo HYPO- RT-PC comparou dois esquemas de radioterapia (RT) ultra-hipofracionada (42,7 Gy em 7 sessões em 2,5 semanas) e convencional (78 Gy em 39 sessões em 8 semanas) para pacientes com câncer de próstata localizado de risco intermediário e alto.
Entre 2005 e 2015, foram avaliados 1200 homens < 75 anos, sem uso de terapia hormonal, em dez centros na Suécia e dois na Dinamarca.
A técnica de RT utilizada foi 3D, IMRT ou VMAT com o uso de fiduciais. Margens de PTV de 6-7 mm foram utilizadas para o ultra-hipofracionamento e de 10-15 mm para o convencional.
O desfecho principal foi a sobrevida livre de falha (SLF), definida como ausência de recidiva bioquímica, progressão clínica, início de terapia hormonal ou morte por câncer de próstata. A SLF em 10 anos foi de 65% na RT convencional e 72% na RT ultra-hipofracionada. Não houve diferença em sobrevida global, metástases ou mortalidade por câncer de próstata. Toxicidade urinária tardia ≥ G2 foi de 30% (convencional) x 28% (ultra-hipofracionada) e gastrointestinal ≥ G2 de 14% em ambos os grupos, sugerindo perfis de segurança semelhantes.
O acompanhamento de 10 anos confirma que a radioterapia ultra-hipofracionada é não inferior a convencional, com resultados oncológicos e toxicidades semelhantes. É segura e eficaz, especialmente para câncer de próstata de risco intermediário e reduz drasticamente o tempo de tratamento, aumentando a conveniência para o paciente. Limitações: maioria dos pacientes de risco intermediário (menos aplicável a alto risco), técnicas radioterápicas mais antigas (3D) em muitos casos e não foi utilizado métodos modernos de estadiamento (RM, PET-PSMA).
Artigo disponível em: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(25)00656-4
Dra. Hebe Mendes
Médica radio-oncologista
Grupo Oncoclínicas e Hospital Luxemburgo
Belo Horizonte/MG
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