Radioterapia de intensidade modulada guiada por imagem com margens reduzidas em pacientes com câncer de próstata: resultados do estudo randomizado de Fase II RCMIGI

O estudo RCMIGI, prospectivo e randomizado de fase II, avaliou o impacto da redução das margens do volume alvo planejado (PTV) em pacientes com câncer de próstata localizado de baixo e intermediário risco tratados com IMRT associada à IGRT.

Entre agosto de 2016 e maio de 2022, 74 pacientes foram randomizados na proporção 1:2 para IGRT com margens padrão (Controle, n=30) ou margens reduzidas (Experimental, n=44). No grupo controle, a IGRT foi realizada com cone-beam CT (CBCT). No grupo experimental, foi utilizado CBCT associado ao rastreamento eletromagnético em tempo real por transponders implantados (Calypso®).

As margens prostáticas foram reduzidas de 10 mm (5 mm posteriormente) no grupo controle para apenas 3 mm no grupo experimental. O desfecho primário foi a incidência de toxicidade pélvica tardia ≥ grau 2, avaliada pelos critérios CTCAE v4.03, incluindo toxicidades geniturinárias e gastrointestinais, além de desfechos relatados pelos pacientes por meio de questionários validados de qualidade de vida.

Após seguimento mediano de 4,3 anos, as taxas de toxicidade tardia ≥ grau 2 foram baixas em ambos os grupos, com sucesso de 88,6% no experimental versus 80,8% no controle. A redução das margens melhorou parâmetros dosimétricos vesicais e retais e reduziu sintomas urinários após dois anos, sem aumento de recorrência local.
A redução das margens para 3 mm utilizando IGRT com rastreamento eletromagnético é factível, segura e pode melhorar a qualidade de vida urinária, reforçando o papel da radioterapia de alta precisão no câncer de próstata.

O estudo reforça o potencial do rastreamento em tempo real para aumentar a precisão da radioterapia no câncer de próstata, permitindo reduzir margens com segurança oncológica e possível melhora na qualidade de vida. Contudo, permanecem questões sobre o custo-benefício dessa tecnologia e se resultados semelhantes poderiam ser alcançados sem sistemas avançados de rastreamento. Convidamos os leitores a refletirem e contribuírem com suas perspectivas sobre essas questões.

Dr. Felipe Teles
Médico radio-oncologista do Instituto do Câncer de Curvelo

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