Otimizando a SBRT de Próstata: margens, dose ou intensificação do volume alvo?

A radioterapia estereotáxica corporal (SBRT) tem se consolidado como uma alternativa eficaz no tratamento do câncer de próstata localizado, oferecendo a vantagem de esquemas mais curtos. No entanto, o estudo PACE-B (36,25 Gy em 5 frações) demonstrou uma incidência cumulativa maior de TGU G ≥2 após 5 anos com SBRT (26,9% vs. 18,3%, p<0,01) em comparação com o fracionamento convencional.

O DESTINATION-1, um ensaio de fase II, explorou uma estratégia de redução de dose em toda a próstata (30 Gy em 5 frações) com escalonamento de dose na lesão intraprostática (até 45 Gy em 5 frações), utilizando margens de PTV de 0 mm, planejamento guiado por RM e restrições de dose rigorosas. Nos primeiros três meses de acompanhamento, a toxicidade aguda G ≥2 foi observada em 55% dos pacientes, com um aumento significativo no IPSS (International Prostate Symptom Score) ao final do tratamento (média de 11,5–12 vs. 3,5–6 no início).

Duas hipóteses são levantadas para explicar essa toxicidade: a dose administrada a toda a glândula prostática pode ter induzido edema e exacerbado os sintomas geniturinários, ou a dose recebida pelos órgãos de risco excedeu os limites. Embora a dose na uretra tenha correlação com eventos adversos geniturinários agudos e tardios, o PACE-B identificou os sintomas urinários basais como o preditor mais importante de toxicidade urinária tardia, e não métricas de dose específicas na neste OAR.

No DESTINATION-1, as doses medianas de D0,1 cc e D0,039 cc na uretra atingiram 39,9 Gy (87,6 GyEQD2) e 42 Gy (95,8 GyEQD2), respectivamente, excedendo a recomendação de Dmax < 90 GyEQD2. A exposição da bexiga, especialmente do trígono vesical, a altas doses (V38–40 Gy) foi associada à toxicidade TGU aguda G ≥2, e o PACE-B também identificou o V40Gy e o Dmax do trígono vesical como preditores de piora dos sintomas urinários.

Um estudo prospectivo de fase II de Nguyen et al. investigou a SBRT focal parcial da glândula (36,25 Gy em 5 frações) em 24 pacientes com câncer de próstata de baixo risco, abrangendo uma proporção mediana de 34% da próstata pelo volume alvo clínico (CTV). Restrições de dose rigorosas foram aplicadas aos OARs, resultando em apenas 8% de efeitos colaterais geniturinários agudos grau 2 (disúria e urgência) e sem eventos tardios de grau ≥2. Não houve deterioração significativa no IPSS.

Assim, a SBRT para próstata segue em evolução, com foco na redução de margens (como no estudo MIRAGE), dose e volume irradiado. Essas abordagens combinadas podem melhorar o índice terapêutico, equilibrando controle tumoral e qualidade de vida — embora dados de longo prazo ainda sejam aguardados.

O artigo pode ser baixado no link – https://doi.org/10.1016/j.radonc.2026.111363.

Dra. Bruna Bonaccorsi
Médica Rádio-oncologista do Cancer Center Oncoclínicas-Nova Lima, MG.

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