O artigo reúne as recomendações da ESTRO e da ISRS sobre o uso de SBRT na reirradiação de metástases vertebrais, elaboradas a partir de revisão sistemática, metanálise e consenso entre especialistas. Foram analisados 20 estudos, sendo cinco prospectivos e 15 retrospectivos, que incluíram 1.284 pacientes e 1.538 metástases previamente irradiadas. Na maior parte das séries, o primeiro tratamento foi realizado com radioterapia convencional, frequentemente 30 Gy em 10 frações. Na reirradiação, o esquema mediano de SBRT foi de 24 Gy em duas frações.
Os resultados apontam bom controle da doença e dos sintomas. A resposta global da dor foi de 77%, com resposta completa em 34% dos casos. O controle local alcançou 81% em um ano e 70% em dois anos. Apesar de se tratar de uma população previamente irradiada, as complicações graves foram pouco frequentes: fratura por compressão vertebral ocorreu em 5%, lesão de raiz nervosa em 5,6% e mielopatia em 1,7%. Outros eventos adversos grau 3 ou superior ocorreram em menos de 1% dos pacientes. A idade mais avançada esteve relacionada a maior risco de fratura e de toxicidade grave.
A partir desses achados, o consenso considera a SBRT uma opção de reirradiação principalmente para pacientes selecionados, com expectativa de vida mais longa e nos quais se busca um controle local ou analgésico mais duradouro. O intervalo entre os tratamentos deve ser, de preferência, superior a 12 meses. Entre seis e 12 meses, a indicação ainda pode ser considerada individualmente. Antes do tratamento, recomenda-se avaliar a estabilidade da coluna pelo SINS, sendo elegíveis lesões estáveis ou potencialmente instáveis (SINS 0–12). A ressonância magnética tem papel central no planejamento e devem ser respeitados os limites de tolerância da medula espinhal, particularmente os estabelecidos pelo HyTEC. Entre os fracionamentos recomendados estão 24 Gy em duas frações, 30 Gy em quatro ou cinco frações e 16 Gy em fração única.
Embora os resultados sejam favoráveis, a evidência ainda é limitada pela predominância de estudos retrospectivos e pela heterogeneidade das séries. Mesmo assim, o amplo consenso entre os especialistas sustenta a SBRT como uma alternativa eficaz e com toxicidade aceitável para reirradiação vertebral quando a seleção do paciente e o planejamento são criteriosos.
Tharcisio Coelho
Radioterapia Oncoclinicas Botafogo RJ
Radioterapia Hospital Pedro Ernesto / UERJ
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