Os 10 ensinamentos práticos do programa britânico:
- Padronização é fundamental
- PET e RM devem participar do contorno
- 4DCT não resolve tudo
- Preparação do paciente é parte do tratamento
- Auto-contorno não substitui revisão médica
- Constraints mandatórios são prioritários
- PRVs não devem ser usados indiscriminadamente
- Cobertura do PTV deve ser maximizada
- A conformidade de baixa dose importa
- Lesões múltiplas exigem estratégia própria
O trabalho de Díez et al. (IJROBP 2026) representa uma das maiores experiências mundiais de garantia de qualidade (QA) em SBRT, analisando mais de 600 benchmarks de contorno e 300 benchmarks de planejamento submetidos por centros credenciados do Reino Unido para tratamento de doença oligometastática e carcinoma hepatocelular.
O resultado é ao mesmo tempo impressionante e preocupante: 91% dos benchmarks de contorno necessitaram ressubmissão, enquanto 40% dos planejamentos foram inicialmente reprovados.
A adesão rigorosa a atlas e consensos internacionais reduz substancialmente a variabilidade interobservador.
Particularmente em:
- Coluna
- Fígado
- Plexo braquial
- Doença nodal
- O grupo recomenda:
- 4DCT para movimentos ≤10 mm
- Gating, tracking, breath-hold ou compressão abdominal para movimentos maiores
- Exemplos mostrados no artigo demonstram necessidade de repetir simulações por:
- Estômago cheio
- Excesso de gás intestinal
- Falta de contraste adequado
- Particularmente em:
- Pacientes operados
- Fígados previamente ablacionados
- Atelectasias
- Alterações anatômicas complexas
- A hierarquia sugerida é:
- OAR mandatórios
- Cobertura do PTV
- Conformidade
- Constraints ótimos
O artigo alerta que a aplicação excessiva de PRVs frequentemente leva à perda desnecessária de cobertura tumoral.
A principal causa de reprovação dos planejamentos foi justamente a subcobertura decorrente de proteção excessiva dos OARs.
Os autores enfatizam que a avaliação não deve se limitar à isodose de 100%.
A isodose de 50% deve permanecer aproximadamente dentro de 2 cm do PTV, evitando os chamados dose fingers.
Foi o cenário com maior número de correções.
A decisão entre:
- isocentro único,
- múltiplos isocentros,
- margens diferenciadas,
- composição de dose deve ser feita desde o planejamento inicial.
Os erros mais frequentes estavam relacionados a:
- utilização inadequada de PET e RM;
- falha na revisão em planos sagitais e coronais;
- definição incorreta de limites anatômicos;
- excesso de proteção aos OARs com consequente subcobertura do PTV;
- uso inadequado de PRVs.
O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/j.ijrobp.2025.12.028
Dra. Thais Santana
Médica Rádio-oncologista
Cebrom-Oncoclínicas- GO
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