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Especialistas debatem experiências da Índia e Brasil com braquiterapia para câncer de colo de útero

De um lado, Umesh Mahantshetty, do Tata Memorial Centre, de Mumbai, na Índia, e do outro, Heloisa Andrade Carvalho, do Hospital das Clínicas da USP e do Icesp, em São Paulo. Ambos foram palestrantes do módulo Ginecologia do XX Congresso da Sociedade Brasileira de Radiologia, que acontece em Belo Horizonte (MG), de 15 a 18 de agosto.

Entre os temas abordados por Umesh, a braquiterapia e os resultados da casuística na Índia e de estudos realizados em parceria com centros europeus. Heloisa, por sua vez, falou sobre a experiência brasileira de implementação da braquiterapia guiada por imagem no Hospital das Clínicas. Em conjunto, os dois especialistas proporcionaram aos presentes que lotaram a sala do Congresso, informações sobre protocolos, pesquisas e, o mais importante, compartilharam sua rica experiência pessoal como médicos, pesquisadores e profissionais atuantes no sentido de contribuir para evolução da prática radioterápica, em um ambiente multidisciplinar e colaborativo, para trazer o melhor para cada paciente dentro de uma realidade nem sempre favorável.

“Índia e Brasil tem muitas semelhanças”, disse Umesh, que já esteve no país duas vezes, no ano passado e agora para o Congresso da SBRT. Ele, assim como Heloisa, reconhecem que a braquiterapia guiada por imagem, com base em ressonância magnética, é o padrão ouro no tratamento de câncer de colo de útero. Essa técnica permite aumentar a dose e estudos revelam que, principalmente em casos de doença avançada, alcançar melhor desfecho. Além disso, outro benefício é permitir nova irradiação no caso de recidiva, com resultados satisfatórios.

No entanto, a infraestrutura tecnológica que inclui, além de aceleradores lineares, unidades de braquiterapia e aplicadores, que representa um investimento significativo, nem sempre está disponível, principalmente, em serviços públicos. “Mas um planejamento correto do tratamento da paciente com câncer colo de útero é possível de ser feito com todas as tecnologias. Vocês devem acreditar primeiro em seus dedos e olhos e depois na imagem. Isso é muito importante”, afirmou Umesh, valorizando a prática do exame clínico meticuloso e documentado em diagramas como primeiro passo de um bom planejamento.

Isso, no entanto, não quer dizer que o especialista indiano desvalorize a tecnologia. Ao contrário, ele afirma ter a sorte de trabalhar em um hospital que possui todas as tecnologias disponíveis. No departamento de Radiologia Oncológica do Tata Memorial Centre, Umesh e sua equipe contam com aceleradores lineares, unidades de braquiterapia, conjuntos de aplicadores e equipamentos de ultrassonografia. “Os equipamentos que utilizam cobalto estão sendo substituídos”, disse.
Considerando câncer de colo de útero, são atendidos, em média, entre 1.200 e 1.500 novas pacientes por ano no Tata Memorial Centre. Desse volume de pacientes, cerca de 600 por ano são tratadas no departamento de Radiologia Oncológica pela equipe do médico indiano. “Todos os dias, nós realizamos oito aplicações de braquiterapia. Cerca de metade desses tratamentos teve seu planejamento realizado com base em imagens de raio-x e os demais com tomografia e ressonância. Em qualquer caso a atuação integrada do médico, físico, técnico e enfermeiro é essencial”, informou.

No Hospital das Clínicas, em São Paulo, o tratamento de pacientes com câncer de colo de útero com braquiterapia e recursos de imagem teve início em 2010. Heloisa lembra que os protocolos foram sendo aperfeiçoados, contemplando desde o transporte do paciente para os procedimentos de tomografia ou ressonância, anestesia para inserção dos aplicadores, benefícios da utilização das diferentes tecnologias – tomografia, ressonância 3D ou 2D. “Quando iniciamos, apenas para realizar um exame de ressonância era preciso cerca de 40 minutos, hoje fazemos em 10 minutos”, afirma, destacando o aperfeiçoamento de todos os processos e os estudos realizados pela Física Médica.

Heloisa ressalta que as decisões em relação as técnicas que serão utilizadas devem ser tomadas levando-se em conta cada paciente. “Precisamos verificar qual o benefício terapêutico que cada tecnologia trará para o paciente e, ao mesmo tempo, lidar com as limitações de nosso sistema de saúde que não cobre de forma universal todos os tipos de tratamento disponíveis”, afirmou.

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