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Censo realizado pelo ministério da saúde evidencia as carências da radioterapia no país

O Censo Radioterapia, publicado recentemente pelo Ministério da Saúde, avaliou a situação dos serviços de radioterapia no Brasil. O objetivo foi identificar e caracterizar todos os equipamentos de teleterapia e braquiterapia utilizados no país, além de buscar informações sobre a vida útil dos equipamentos em funcionamento, e, também, mapear modelos obsoletos, a serem potencialmente substituídos nos próximos anos.

A coleta de dados foi orientada pelas informações sobre a radioterapia obtidas em diferentes bases de registros, como o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Assim, o estudo procurou atualizar e aprimorar a qualidade desses dados, traçando um cenário da realidade da situação dos aparelhos (vida útil e modelos obsoletos) e da capacidade técnico terapêutica dos serviços, além da infraestrutura das salas de tratamento.

O cenário da radioterapia no Brasil

Para chegar aos resultados, o estudo realizou um censo por telefone, em março de 2018. Doze telefonistas e três supervisores aplicaram o questionário em 249 serviços de radioterapia autorizados a funcionar pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

O Censo constatou que existem 242 serviços de teleterapia no Brasil. O estado de São Paulo concentra a maioria destes, sendo 73 (30%) serviços. Enquanto isso, Rio Grande doNorte, Alagoas, Amazonas e Ceará, por exemplo, possuem menos de 10 serviços para todo o estado. Ao analisar a quantidade de aceleradores lineares, o cenário é semelhante. São 363 equipamentos no total, sendo 116 deles no Estado de São Paulo.

O estudo avaliou também as características distintas dos 162 serviços de atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), identificando maior obsolescência e aplicação de técnica 2D para os pacientes.

A pesquisa constatou uma alarmante realidade nacional. Cerca de 34% dos aceleradores lineares em funcionamento, 34% são considerados obsoletos pelos fabricantes. No SUS, o número é mais alto: 38%. Portanto, 1 a cada 3 equipamentos deveria ser substituído no país para atender as especificações internacionais de manutenção.

Além disso, entre os serviços participantes, 78 possuem ao menos uma casamata vazia. No total, foram apuradas 90 casamatas prontas para receber equipamentos de teleterapia e duas aguardando equipamento de braquiterapia.

Por fim, o estudo avaliou a capacidade dos serviços em aplicar tratamentos com radioterapia, a disponibilidade de técnicas de radioterapia guiadas por imagem e os serviços de braquiterapia. O Censo observou que 75% dos serviços ainda aplicam a técnica 2D a pacientes do SUS.

Bastante completo, o estudo permitiu atualizar o conhecimento sobre a radioterapia no Brasil. O objetivo final é apoiar a implementação de políticas públicas mais eficientes para o desenvolvimento da técnica, para a prevenção de crises e para a atualização tecnológica.

O censo espera que as informações coletadas possam auxiliar diversos órgãos e entidades a avaliar e aprimorar ações em radioterapia no Brasil.

O Presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Dr. Arthur Accioly Rosa, comentou sobre o Censo. Segundo ele, “é alarmante saber que 1 a cada 3 equipamentos está obsoleto. Temos que apoiar ações estratégicas para reverter a triste situação da radioterapia no Brasil”.

Ainda sobre a importância do Censo, enfatizou: “A SBRT parabeniza a equipe do Ministério da Saúde pelo trabalho, especialmente por terem conseguido contatar 97% dos serviços de radioterapia em território nacional, e mais uma vez coloca-se a disposição de colaborar na busca por uma solução de curto prazo bem como para unir esforços em prol do projeto RT 20/30, com o objetivo de tornar a radioterapia viável no longo prazo”, finaliza.”

Clique para acessar o censo na íntegra

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