
Primórdios da radioterapia – tratamento era realizado pela técnica de “braquiterapia”. Foto acima, para câncer de pele. Abaixo, para câncer de mama.
A radioterapia é uma forma de tratamento que utiliza radiação para combater doenças, principalmente o câncer. Sua história começa no final do século XIX, logo após a descoberta dos raios X por Wilhelm Röntgen, em 1895, e da radioatividade por Marie Curie, alguns anos depois. Essas descobertas abriram portas para novas maneiras de tratar doenças que, até então, eram consideradas incuráveis.
No início do século XX, os médicos perceberam que a radiação tinha a capacidade de destruir células doentes, como as cancerígenas. Porém, naquela época, o conhecimento sobre os efeitos da radiação no corpo humano ainda era muito limitado.
No início da história da radioterapia, as aplicações de radiação eram muito rudimentares. No final do século XIX e começo do século XX, logo após a descoberta dos raios X e da radioatividade, os médicos e cientistas começaram a utilizar essas formas de energia para tratar pacientes.
Os primeiros tratamentos eram feitos de maneira bastante imprecisa. Os médicos não sabiam ao certo quanta radiação era necessária ou como ela afetava diferentes tecidos do corpo. Assim, os pacientes muitas vezes recebiam doses excessivas de radiação, o que causava queimaduras graves na pele e outros danos colaterais. Como a tecnologia para direcionar os raios era muito básica, a radiação atingia tanto as células doentes quanto as saudáveis ao redor do tumor, o que tornava o tratamento arriscado.
Além disso, o uso de materiais radioativos como o rádio, descoberto por Marie Curie, também era comum. No início, cápsulas contendo rádio eram colocadas diretamente nas áreas afetadas, uma técnica chamada

Foto dos primeiros aparelhos de radioterapia.
“braquiterapia”. No entanto, a manipulação desses materiais era perigosa, e tanto médicos quanto pacientes muitas vezes sofriam com a exposição inadequada à radiação.
Com o passar dos anos, especialmente a partir da década de 1950, a tecnologia começou a avançar significativamente. Novos equipamentos foram desenvolvidos para direcionar a radiação de forma mais precisa. Um marco importante foi o surgimento do acelerador linear, que permitiu a produção de feixes de radiação com alta energia, capazes de penetrar no corpo com maior precisão, atingindo o tumor sem causar tanto dano aos tecidos saudáveis.
Hoje, as aplicações de radioterapia são muito mais seguras e eficazes graças a esses avanços tecnológicos. O tratamento é planejado de forma minuciosa, utilizando imagens de tomografia e ressonância

Equipamento de radioterapia externa com Cobalto-60.
magnética para mapear exatamente o local do tumor. Com isso, os médicos conseguem calcular com precisão a dose de radiação necessária e direcioná-la apenas para as células cancerígenas, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.
Além disso, técnicas modernas, como a radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e a radioterapia guiada por imagem (IGRT), permitem um controle ainda maior. Elas ajustam a intensidade da radiação e monitoram o tumor em tempo real, garantindo que o tratamento seja aplicado de maneira personalizada e com menos efeitos colaterais. Outro avanço recente é a radioterapia estereotáxica, que utiliza doses muito altas de radiação em áreas muito pequenas e bem definidas, ideal para tratar tumores pequenos ou em áreas de difícil acesso.

Equipamento de protonterapia – o que há de mais moderno em radioterapia.
Em resumo, enquanto no passado a radioterapia era um tratamento experimental e impreciso, hoje ela se tornou uma ferramenta sofisticada e segura, capaz de tratar o câncer de maneira eficaz, com menos impacto na qualidade de vida dos pacientes. A evolução da tecnologia transformou a radioterapia em um dos pilares mais importantes na luta contra essa doença.
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