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Resultados de 30 anos do DBCG 82c: Radioterapia pós-mastectomia em pacientes com câncer de mama alto risco que receberam tratamento sistêmico.

Nas últimas três décadas, o câncer de mama tem sido reconhecido como uma doença de espectro clínico patológico heterogêneo, sendo observadas grandes mudanças no tratamento locorregional desses tumores. Novas técnicas de cirurgia e de radioterapia tiveram impactos positivos tanto nos desfechos oncológicos como na redução dos efeitos adversos. O tamanho do tumor primário e o número de linfonodos axilares comprometidos pela doença seguem como os fatores preditivos mais importantes para recorrência locorregional e a sobrevida. A radioterapia pós mastectomia (PMRT) demonstrou em vários estudos redução nas recidivas e melhora na sobrevida nas pacientes de alto risco após terapia sistêmica.

O estudo de DBCTG 82c foi o maior estudo randomizado do mundo sobre PMRT e avaliou durante 30 anos 3083 pacientes com câncer de mama considerados de alto risco (N+ e/ou T>5cm, invasão da pele ou fáscia peitoral) pré e pós menopausa (<70anos) estádio patológico II e III, randomizadas após mastectomia radical para receber terapia sistêmica adjuvante (CMF) mais radioterapia sobre parede torácica e linfonodos regionais (1538 pctes), ou somente a mesma quimioterapia (CMF) de modo isolado (1545 pctes). O objetivo do estudo foi avaliar em um longo prazo o impacto da PMRT na falha locorregional, falha à distância, mortalidade específica por câncer de mama e também na sobrevida global. Também foram avaliados a potencial morbidade relacionada a irradiação cardíaca e o risco de indução de câncer secundário.

Como resultado do estudo, no período de 30 anos, a incidência acumulada de recorrências locorregionais foi de 9% nas pacientes irradiadas versus 37% nas pacientes que não receberam radioterapia. A probabilidade de metástase a distância foi de 49% nas pacientes irradiadas comparado a 60% das pacientes não irradiadas. Consequentemente, foi observada uma redução na mortalidade relacionada ao câncer de mama (56% x 67%), e também na mortalidade global (81% x 86%), ambas em favor do grupo submetido à radioterapia. A radioterapia não teve impacto negativo significativo na mortalidade cardíaca e nem no aumento de câncer secundário.

A análise de subgrupo evidenciou que PMRT reduziu a falha locorregional de 46% para 13% em pacientes com > 4 linfonodos positivos, e de 34% para 8% nos pacientes com 1-3 linfonodos positivos. Lembrando que esse estudo foi realizado antes da análise de receptores hormonais e outros biomarcadores, porém também foi detectado que a histopatologia do tumor e o grau de anaplasia foram critérios que influenciaram o desfecho oncológico. Os carcinomas ductais foram os mais frequentes (86%), e entre estes foram os tumores de baixo grau de malignidade e os menores de 20mm os mais sensíveis a PMRT. A análise a longo prazo confirmou que a remoção de > de 8 linfonodos tem benefício no controle locorregional e sobrevida.

Como conclusão, esse estudo demonstrou que o benefício ótimo a longo prazo do tratamento nas pacientes consideradas de alto risco só pode ser atingido se tanto o controle locorregional e o sistêmico forem alcançados. A PMRT não resultou em efeitos significativos no aumento das toxicidades cardíacas e nem em outras mortes não relacionadas ao câncer de mama, sendo assim considerado um tratamento seguro com desfechos oncológicos favoráveis. A PMRT, portanto, deve ser considerada uma parte importante do tratamento multidisciplinar do tratamento do câncer de mama.

O artigo está disponível em: www.thegreenjournal.com/article/S0167-8140(22)00133-5/fulltext

Dra. Maria Carolina Lopes Perdigão
Rádio-oncologista
Américas Centro de Oncologia Integrado, Rio de Janeiro – RJ.

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