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Radioterapia paliativa em tumores pulmonares com proteção esofágica (PROATIVO)

A radioterapia (RT) torácica paliativa é utilizada no alívio dos sintomas dos tumores de pulmão não pequenas células (CPNPC) avançados, porém a esofagite é um efeito adverso relatado com frequência, podendo resultar em dor severa, perda de peso e ocasionalmente na necessidade de internação.

No estudo PROACTIVE 90 pacientes com CPNPC estadio III e IV foram tratados com RT paliativa entre Junho de 2016 e Maio de 2019 em 6 centros de RT no Canadá.

Neste estudo randomizado foi avaliada a incidência de esofagite e o respectivo impacto na qualidade de vida destes pacientes comparando duas técnicas de RT: RT convencional (braço controle) versus radioterapia de intensidade modulada poupando esôfago ES-IMRT.

Como critério de seleção tivemos a inclusão de no mínimo 5 cm de esôfago dentro do campo de tratamento (comprimento de esôfago recebendo > 50% da dose). Doses de 20 Gy em 5 frações ou de 30 Gy em 10 frações foram permitidas, ficando a definição a critério do responsável pelo caso.

No grupo com RT convencional foi utilizada a técnica de campos paralelos opostos (POP). Por outro lado, nos pacientes tratados com ES-IMRT a cobertura do volume alvo foi comprometida para limitar a dose no esôfago a no máximo 80% da dose prescrita.

A ocorrência e graduação dos efeitos adversos foi realizada com o CTCAE 4.0 (Common Terminology Criteria for Adverse Events) e a qualidade de vida foi avaliada com os questionários ECS (esophageal cancer subscale) e FACT-E (Functional Assessment of Cancer Therapy: Esophagus).

Dentre os resultados, inicialmente destacamos que não foi observada diferença significativa no escore ECS médio duas semanas após radioterapia, sendo 50.5 com RT convencional (POP) e 54.3 utilizando com ES-IMRT (P = .06).

Por outro lado, a incidência de esofagite sintomática relacionada à RT foi de 24% pacientes tratados com RT convencional (POP) (n = 11) versus 2% (n = 1) nos pacientes submetidos à ES-IMRT (P = .002). Comparando somente os pacientes tratados com dose de 30 Gy, a redução na esofagite foi ainda mais evidente  com 30% (n = 8) no grupo POP vs 0% utilizando ES-IMRT (P = .004). A sobrevida global foi equivalente entre ambos os grupos (P = .62).

Os autores concluíram que a realização de radioterapia com proteção esofágica ES-IMRT reduziu significativamente a esofagite sintomática (24% vs 2%; P=0.002), mas não melhorou significativamente a qualidade de vida relacionada ao esôfago.

O artigo está disponível em:
https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/fullarticle/2789387

Dr. Andre Gouveia
Américas Centro de Oncologia Integrado, Rio de Janeiro – RJ.

 

 

 

 

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