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Radioterapia estereotáxica ablativa em dose única no pulmão: the knockout punch (o nocaute)

O artigo de revisão, publicado na Clinical Oncology, aborda sobre eficácia e segurança da radioterapia estereotáxica ablativa (SABR) de fração única para tratamento de neoplasia maligna primária de pulmão e metástases pulmonares, em comparação com o regime de multifração. É importante ressaltar que os estudos abordados na revisão são estudos randomizados fase I / fase II e estudos prospectivos de coorte.

 

Os autores consideraram, para tumores pulmonares periféricos, que a SABR pulmonar de fração única é eficaz e segura em CPNPC estágio I periférico e em pequenas metástases pulmonares periféricas. Nas comparações para CPNPC (34Gy/01 fração vs. 48Gy/04 frações e 30Gy/01 fração vs. 60Gy/03 frações), não houve diferença nas toxicidades e no controle local. A dose de 28Gy/01 fração foi considerada adequada para metástases pulmonares periféricas menores que 5 cm. Entretanto, para SABR em dose única e multifracionada nas metástases de câncer colorretal (CCR), foi relatado menor controle local e um possível benefício de escalonamento de dose (30-34Gy/01 fração ou 60 Gy/03 frações).

 

Em tumores pulmonares centrais, as doses seguras e eficazes ainda não foram estabelecidas. Nenhum ensaio utilizando SABR de fração única foi concluído. Altas taxas de toxicidade foram observadas. Para metástases pulmonares centrais, SABR de fração única com 26Gy apresentou toxicidade grau 4. Redução de dose ou novas abordagens para minimizar a dose nos OARs devem ser realizadas. Portanto, recomenda-se fracionar o tratamento em doenças nesse sítio.

 

A SABR pode ser localmente imunomoduladora, através do aumento dos linfócitos T CD 8+ e da infiltração tumoral de células dendríticas, facilitando uma resposta antitumoral sistêmica, podendo potencializar os efeitos da inibição do checkpoint.

 

O modelo linear quadrático clássico superestima o BED no efeito da morte celular em tecidos tumorais e normais para regimes SABR, havendo incompatibilidade entre BED e toxicidade. Estudos futuros são necessários para melhor prever o efeito SABR de fração única no tumor e nos tecidos normais.

 

Artigo disponível em: https://doi.org/10.1016/j.clon.2022.02.004

 

 

Dra. Nathalya Ala Yagi

Radio-oncologista

CONFIAR Radioterapia (Goiânia-GO)

Hospital Universitário de Brasília (DF)

@nathyalayagi

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