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Estudo Neo-Aegis: Resultados Preliminares na ASCO 2021

O estudo NEO-AEGIS é um estudo randomizado de não-inferioridade que comparou duas estratégias de tratamento em 362 pacientes com adenocarcinomas de esôfago e junção esôfago-gástrica: radioquimioterapia neoadjuvante + cirurgia (41.4 Gy em 23 frações + carboplatina e paclitaxel nos moldes do CROSS trial) versus quimioterapia neoadjuvante + cirurgia + quimioterapia adjuvante (04 ciclos de FLOT antes e após a cirurgia ou 03 ciclos de epirrubicina, cisplatina ou oxaliplatina e 5-FU ou capecitabina antes e após a cirurgia). O objetivo principal seria demonstrar a não-inferioridade do tratamento com quimioterapia neoadjuvante isolada em termos de sobrevida global. A maioria dos pacientes incluídos tinham tumores T3 (84% dos pacientes) com linfonodos positivos (58% dos casos). Os resultados preliminares apresentados na ASCO 2021 com seguimento mediano de 24,5 meses indicam que os desfechos de sobrevida global foram equivalentes em ambos os braços (57% versus 56% em 03 anos). A adição da radioterapia neoadjuvante não esteve associada a aumento nas taxas de complicações cirúrgicas ou na mortalidade pós-operatória. O braço com quimioterapia isolada apresentou taxas significativamente maiores de neutropenia grau III e IV (14% versus 2,8%), diarreia (10,1% versus 0%) e vômitos (7,6% versus 2,8%). Já o braço com radioquimioterapia neoadjuvante esteve associado a taxas significativamente maiores de resposta clínica completa (16% versus 5% – p=0.001), resposta patológica completa (17,3% versus 5,3% – p=0<001), resposta patológica maior (31,7% versus 12% – p=0<001), downstaging linfonodal (60% versus 44,5% – p=0.004) e taxa de ressecção R0 (95% versus 82% – p<0.001). Infelizmente, a ausência dos dados de sobrevida livre de progressão impede uma interpretação mais detalhada das razões pelas quais os desfechos de resposta clínica e/ou patológica significativamente melhores no grupo da radioquimioterapia neoadjuvante não se traduziram em ganho na sobrevida global. Independente disso, trata-se de um importante estudo e cujos resultados com certeza irão dar ainda mais subsídios para a condução desses pacientes. Nesse cenário, a publicação dos resultados definitivos e especialmente de dados mais detalhados de sobrevida livre de doença e do padrão de recidiva pós-tratamento serão fundamentais para definir a estratégia ideal nesses pacientes em um contexto de discussão multidisciplinar.

Diego Chaves Rezende Morais
Rádio-oncologista do Grupo Oncoclínicas Recife e do Hospital Santa Águeda Caruaru

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