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Access of Patients with Lung Cancer to High Technology Radiation Therapy in Brazil

Lilian Faroni, Arthur Accioly, Veronica Aran, Renan Serrano, Carlos Gil Ferreira

Introdução
São esperados 625.000 casos novos de câncer por ano no Brasil.  O câncer de pulmão é o terceiro mais frequente nos homens e quarto nas mulheres. Estima-se que a sobrevida global de todos os Estadios em 5 anos seja de 18%.

Sabe-se que até 70% dos pacientes com câncer de pulmão farão radioterapia em algum momento de sua jornada oncológica. Nos últimos anos, diversos trabalhos robustos foram publicados avaliando o papel da radioterapia no cenário oligometastático, e todos demonstraram benefício tanto em sobrevida livre de progressão quanto em sobrevida global.

Este estudo avalia retrospectivamente dados do Censo Brasileiro de radioterapia publicado em 2019, dados do Ministério da Saúde e revisão de literatura até 2019.

Resultados
O Brasil possui 242 departamentos de radioterapia, com aproximadamente 363 aceleradores lineares e 20 cobaltos em funcionamento. A maioria das máquinas instaladas operam SUS. Atualmente, 123(34%) aparelhos já são considerados obsoletos pelos fabricantes. A estimativa é que, se não forem substituídos, em 2022 existam 162(44.6%) aparelhos obsoletos no Brasil, sendo que a maior parte está voltada para SUS (127 aparelhos).

IMRT (Intensity-Modulated Radiotherapy) está presente em 53.7% (n=130) dos serviços e VMAT (Volumetric Modulated Arc Therapy) em 28%(n=69), porém apenas 19.8%(n=48) possuem equipamentos de IGRT (Image Guided Radiation Therapy). Se analisarmos apenas o SUS, o cenário é pior, sendo 40.1% possuírem IMRT, 21% VMAT e 14.8% IGRT. SBRT (Stereotatic Body Radiation Therapy) é realizado por apenas 16% dos departamentos.

Discussão
Em 2015 85 aceleradores lineares foram comprados pelo Ministério da Saúde e, 5 anos depois, apenas 35 foram instalados. Se analisarmos os dados de máquinas obsoletas, em 2022 teremos apenas 244 aparelhos funcionando. A Organização Mundial de Saúde recomenda 1 acelerador para cada 500.000 habitantes, o que significa que termos um déficit de aproximadamente 180 máquinas. Outra observação importante é que a maioria dos aparelhos não possui tecnologia para realização de IMRT e SBRT, este último fundamental para aumentar a sobrevida de pacientes oligometastáticos, como anteriormente mencionado.

O maior problema que enfrentamos é o custo de instalação de um serviço de radioterapia. Em países subdesenvolvidos como o nosso, do total empregado na construção de um departamento, 80% dos custos são destinados ao aparelho, devido a desvalorização da moeda e pagamento abusivo de impostos de importação; nos países desenvolvidos, o custo da máquina compreende apenas 30% do custo de implementação.

Especificamente sobre SBRT, apenas 16% dos serviços oferecem a técnica. Se analisarmos os custos de uma cirurgia para um câncer inicial, sem considerar os custos de implementação, um paciente que é submetido a uma lobectomia chega a custar 72% a mais para o SUS do que se fosse tratado com SBRT.

A grande limitação deste estudo é saber se a tecnologia disponível é de fato utilizada. Outro problema é a falta de dados sobre tempo de utilização das máquinas. Aparelhos antigos, sem manutenção do fabricante, usualmente permanecem boa parte do tempo paradas para manutenção, comprometendo sua atividade diária. Este fato deve explicar exemplos como o Estado do Rio de Janeiro, que possui o número necessário de máquinas instaladas, porém detêm uma fila de aproximadamente 8 meses de espera para um paciente que necessita de radioterapia.

Uma solução proposta seria a redução ou até mesmo a extinção da taxa de importação para instituições privadas e em troca, elas participariam com ocupação mínima de pacientes SUS.

Apesar de todos os problemas citados, o Brasil detém serviços com a mesma tecnologia que países desenvolvidos, fato este raro há cerca de 10 anos atrás.

Dra. Lilian Faroni
Oncologia Dor – Rio de Janeiro

Congresso SBRT

Congresso de Pele

ECR

RT 2030

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