Contexto: NRG-GU003 foi um grande ensaio randomizado que recentemente relatou resultados demonstrando a não inferioridade da radioterapia pós-prostatectomia hipofracionada (HYPORT) versus convencional em relação aos sintomas geniturinários (GU) e gastrointestinais em 2 anos.
Métodos: 161pacientes com câncer de próstata com recidiva bioquímica após prostatectomia foram submetidos a HYPORT de 2003 a 2013 em uma única instituição acadêmica usando IMRT guiada por imagem diariamente, com a maioria (154 de 161) recebendo 65 Gy em 26 frações em loja prostática (PTV de 3 mm), sendo LNs eletivos tratados em 20 pacientes. 26 pacientes (16,1%) receberam ADT após a cirurgia ou concomitantemente à RT de resgate.
Resultados: O acompanhamento mediano foi de 13,5 anos. A mediana de idade foi de 64 anos e mediana de PSA pré-RT foi de 0,42 ng/mL. Toxicidades agudas de grau 3 GU foram observadas em 2 pacientes, ambas relacionadas à obstrução urinária. 44 pacientes (27,3%) apresentaram 58 eventos de toxicidades tardias de grau 3 a 5 (LTOX3), apresentando uma mediana de tempo de 106 meses após HYPORT. 38 dos 141 (27,0%) pacientes tratados sem radiação LN apresentaram LTOX3, em comparação com 6 dos 20 (30,0%) pacientes com LN incluído. 54 dos 58 eventos LTOX3 estavam relacionados ao sistema geniturinário. Em 2 anos, apenas 2 pacientes apresentaram LTOX3.
Discussão: Os resultados favoráveis de toxicidade e doença relatados anteriormente desta coorte ajudaram a estabelecer uma base para a HYPORT. No entanto, um acompanhamento de longo prazo demonstra uma alta taxa de toxicidades graves que continuaram a se acumular (risco de LTOX3 em 15 anos de 34%). A SG foi de 70% em 15 anos, demonstrando o potencial de longevidade para este grupo de pacientes. Regimes alternativos, incluindo hipofracionamento sem escalonamento de dose, poderiam ser mais explorados, ou mesmo regimes com desescalonamento de dose, como foi representado no RADICALS-RT, especialmente considerando que o estudo SAKK 09-10 não demonstrou escalonamento de dose para conferir controle bioquímico superior da doença. Esses dados recomendam cautela na rápida adoção de regimes HYPORT com dose escalonada.
Fábio Firmino Charão Teodoro
Médico Radio-oncologista
Hospital Nossa Senhora da Conceição – Tubarão/SC

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