O estudo PEACE V–STORM, um ECR aberto fase 2, avaliou se pacientes com câncer de próstata e recidiva oligometastática em linfonodos pélvicos detectada por PET apresentavam desfechos superiores quando tratados com radioterapia eletiva nodal (ENRT – 45Gy em 25 frações, com boost integrado até 65 Gy nos linfonodos positivos ao PET) em comparação à terapia direcionada às metástases (MDT – 30Gy em 3 frações), ambas associadas a 6 meses de terapia de privação androgênica (ADT). O estudo incluiu 190 homens, todos com até 5 linfonodos acometidos e histórico de tratamento radical prévio (cirurgia, radioterapia e/ou hormonioterapia). O desfecho primário foi sobrevida livre de metástases (MFS), com significância estatística se p ≤0,20 para este desfecho.
Após mediana de 50 meses de seguimento, MFS em 4 anos foi de 63% no grupo MDT e 76% no grupo ENRT (HR 0,62, p = 0,063. Também houve benefício em sobrevida livre de recidiva bioquímica (57% vs. 41%) e locorregional (85% vs. 62%), bem como maior tempo livre de nova ADT (77% vs. 60%). O padrão de recorrência no grupo MDT foi predominantemente locorregional, sugerindo que a sensibilidade do PET, embora elevada, pode não detectar todas as lesões iniciais, favorecendo o tratamento com ENRT.
Os eventos adversos grau ≥3 mais comuns foram incontinência urinária (6% MDT vs. 10% ENRT) e diarreia (1% vs. 2%), sem diferença estatística. A inclusão do leito prostático na radioterapia aumentou eventos urinários e gastrointestinais, mas reduziu recidivas locais. Não houve mortes relacionadas ao tratamento.
O trabalho conclui que ENRT, ao irradiar áreas eletivas, reduz recorrências pélvicas em 13% em 4 anos e retarda a progressão sistêmica, sem aumento expressivo de toxicidade. O estudo sugere que, embora MDT ofereça conveniência e menos irradiação, sua eficácia isolada é limitada. Assim, para recidivas nodais pélvicas oligometastáticas, ENRT combinada à ADT é considerada o padrão terapêutico. Estudos fase 3 em andamento como o POINTER-PC são aguardados para melhor confirmação.
O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/S1470-2045(25)00197-4
Dra. Victoria Barboza
Médica Radio-oncologista
Instituto de Oncologia do Vale – São José dos Campos
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