O estudo GETUG V04 (fase II randomizado) avaliou se a adição de gencitabina ao esquema padrão com cisplatina + radioterapia poderia melhorar os resultados da terapia trimodal (TMT) no câncer de bexiga músculo-invasivo (MIBC).
Métodos:
Pacientes com MIBC pT2–pT3N0M0, após ressecção transuretral macroscopicamente completa (TURBT), receberam RT (63 Gy para a bexiga, 45 Gy para a pelve, 1,8 Gy/fração) com quimioterapia concomitante (CDDP 20 mg/m²/dia por 4 dias a cada 21 dias, isoladamente ou associado à GEM 25 mg/m² duas vezes por semana). O desfecho primário foi a sobrevida livre de doença (DFS) em 2 anos; os desfechos secundários incluíram sobrevida global (OS) e toxicidades.
Resultados:
Sessenta e nove pacientes foram incluídos: 24 no braço RT/CDDP e 45 no braço RT/CDDP/GEM. O seguimento mediano foi de 63 meses. A DFS em 2 anos foi semelhante entre os grupos (58,3% vs. 60,0%), com mediana de DFS de 29,8 meses (RT/CDDP) versus 37,4 meses (RT/CDDP/GEM). A OS em 24 e 60 meses foi de 91,3% e 66,8% no grupo RT/CDDP, versus 66,7% e 53,7% no grupo RT/CDDP/GEM. Os perfis de toxicidade foram semelhantes, exceto por maior ocorrência de citopenias no grupo com GEM.
Conclusão:
A adição de gencitabina à cisplatina não melhorou a DFS em 2 anos em pacientes com MIBC tratados com TMT. Os resultados devem ser interpretados com cautela devido à interrupção precoce do estudo e ao número insuficiente de pacientes.
O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/j.radonc.2026.111443
Dra. Thais Santana
Médica Rádio-oncologista
Cebrom-Oncoclínicas- GO
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