HYPNO trial foi teorizado para que, no tratamento definitivo de câncer de cabeça e pescoço com quimio e radioterapia concomitante, o hipofracionamento (HFX) com 55Gy em 20 frações (5 vezes na semana por 4 semanas) seria não inferior que o esquema acelerado (NFX) de 66Gy em 33 frações (6 vezes na semana por 5,5 semanas) quanto ao controle loco-regional e eventos de toxicidade tardia. A quimio concomitante foi administrada com cisplatina na dose de 35mg/m2 semanalmente.
É um estudo multicêntrico, pragmático, de 2 braços, aberto, randomizado de não-inferioridade com 2 objetivos primários, controle loco-regional e toxicidade grau 3 ou mais. Foi desenvolvido em países de baixa e média renda, onde o acesso a tratamentos de última geração são limitados.
Entre março de 2014 e fevereiro de 2020, 792 pacientes foram randomizados: 395 para HFX e 397 para NFX. O recrutamento fechou com 792 pacientes dos 836 (94,7%) planejados, em parte por causa da pandemia COVID-19.
O braço HFX passou em ambos os testes de não inferioridade, com 50,7% (HFX) vs 51,2% (NFX) de controle tumoral loco-regional em 3 anos (P= ,04) e com 18,8% (HFX) vs 20,2% (NFX) de eventos de toxicidade tardia grau 3 ou mais em 3 anos (P= ,004). A diferença absoluta entre os dois braços, aos 3 anos, foi de ≤1,4 pontos percentuais para sobrevida global, sobrevida livre de progressão, controle loco-regional, e eventos de toxicidade tardia grau 3 ou mais. A análise de subgrupo planejada não mostrou heterogeneidade estatisticamente significante no efeito estimado para controle loco-regional entre os 2 braços.
O HYPNO trial explora uma região de dose-tempo-fracionamento pouco estudada no cenário atual e apresenta o hipofracionamento como alternativa mais atrativa que o esquema convencional e acelerado para tratamento definitivo com radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço, sendo mais conveniente para os pacientes, com capacidade de ser mais econômico, e com resultados clínicos comparáveis ao esquema padrão.
Estes resultados promissores representam um importante marco para uma maior evolução nos esquemas de fracionamento para o câncer de cabeça e pescoço.
O artigo pode ser acessado no link – DOI: 10.1016/j.ijrobp.2025.12.056
Dr. Alexandre Jacinto
Radio-oncologista Hospital de Amor- Barretos
Comments are closed.
