Apresentado na ESTRO 2026 e publicado em junho de 2026 na revista The Lancet Oncology, os resultados de longo prazo do estudo TROG 15.03 FASTRACK II demonstraram que a radioterapia ablativa estereotáxica (SABR) é altamente eficaz no tratamento do carcinoma de células renais primário, com controle local duradouro e sobrevida câncer-específica de 100% ao longo de todo o seguimento.
Este foi um estudo multicêntrico, não randomizado, de fase 2, conduzido em 8 hospitais (7 na Austrália e 1 nos Países Baixos), que recrutou 70 pacientes com idade mediana de 77 anos, com diagnóstico de neoplasia renal primária, comprovada por biópsia. Eles foram incluídos no estudo após serem considerados inoperáveis por condições clínicas, por ter um tumor tecnicamente difícil de operar ou por recusar a cirurgia. O tratamento proposto consistiu em 26 Gy em fração única (tumores ≤ 4 cm) ou 42 Gy em 3 frações (tumores > 4 cm). O desfecho primário foi o controle local, e como desfechos secundários, a sobrevida livre de progressão a distância, a sobrevida global e a toxicidade.
O controle local foi alcançado em 100% dos pacientes aos 36, 60 e 84 meses, sem nenhuma recorrência local. Já a sobrevida livre de progressão a distância foi de 97% aos 36 meses, 88% aos 60 meses e 78% aos 84 meses, e a sobrevida global foi de 82%, 70% e 64% nos mesmos pontos temporais. Em relação à segurança, 7 pacientes (10%) apresentaram eventos adversos grau 3, sem eventos graus 4–5. A função renal apresentou declínio médio do eGFR de 10,8 aos 12 meses, chegando a 14,8 em 24 meses, com uma estabilização da taxa de eGFR após esse período, e apenas 1 paciente evoluiu com necessidade de diálise, o qual tinha uma eGFR basal de 34.
Os resultados reforçam a SABR como alternativa não invasiva com perfil de toxicidade aceitável no manejo do carcinoma de células renais primário — achado relevante, sobretudo considerando a população mais idosa e frequentemente com comorbidades que não é candidata a cirurgia. Cabe ressaltar, porém, que se trata de estudo fase 2, sem braço randomizado comparativo (por exemplo, com cirurgia ou vigilância ativa), e com amostra limitada (n = 70).
O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/S1470-2045(26)00091-4
Dr. Lucas Uglione Da Ros
R2 Radioterapia HCPA
Dra. Marta Nassif Pereira Lima
Chefe da Unidade de Radioterapia HCPA
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