Um estudo prospectivo avaliou uma estratégia de radioterapia adaptativa guiada por ressonância magnética em pacientes com câncer de reto localmente avançado.
A proposta foi identificar precocemente, durante o tratamento, quais tumores apresentavam menor regressão. Para isso, os pesquisadores utilizaram o Early Regression Index (ERI), um índice de imagem calculado a partir da variação do volume tumoral entre o planejamento e a 10ª fração da radioterapia. Pacientes com ERI acima de 13,1 considerados com menor probabilidade de resposta completa receberam uma intensificação seletiva da dose, alcançando 60,1 Gy sobre o tumor residual, por meio de radioterapia adaptativa on-line guiada por ressonância magnética.
Foram avaliados 62 pacientes. A resposta completa — definida como resposta patológica completa ou resposta clínica completa sustentada por dois anos — foi observada em 60,0% dos pacientes classificados como respondedores pelo ERI, em 21,9% daqueles classificados como não respondedores pelo ERI e submetidos ao reforço adaptativo, e em 40,3% de toda a população avaliada.
Entre os pacientes classificados como não respondedores, a taxa observada de resposta completa foi superior ao valor histórico de aproximadamente 3% utilizado como referência no desenho do estudo. No entanto, essa comparação deve ser interpretada com cautela, pois não houve um grupo controle contemporâneo randomizado.
A toxicidade foi considerada aceitável: todos os pacientes concluíram a radioterapia planejada, e a maioria dos eventos adversos foi de grau 1 ou 2. Toxicidade gastrointestinal grau 3 ou superior ocorreu em 6,4% dos participantes.
A estratégia também esteve relacionada a uma maior chance de evitar a excisão total do mesorreto ( TME ) entre os pacientes com melhor regressão tumoral. A sobrevida livre de TME foi de 38,7% nos respondedores e de 8,3% nos não respondedores. Duas recidivas locais ocorreram entre pacientes conduzidos sem cirurgia radical; ambas foram tratadas com cirurgia de resgate.
O estudo sugere que a resposta do tumor pode ser monitorada durante a quimiorradioterapia, e não apenas ao final. Com isso, a dose poderia ser intensificada seletivamente em pacientes com menor regressão, preservando melhor os tecidos normais e potencialmente aumentando a possibilidade de preservação do órgão.
Entretanto, o trabalho é um estudo de fase II, realizado em um único centro, com apenas 62 pacientes e seguimento mediano de 27,2 meses. Além disso, a comparação com a taxa histórica de 3% não substitui um ensaio clínico randomizado. Portanto, os resultados são promissores, mas ainda precisam ser confirmados em estudos maiores, multicêntricos e com acompanhamento mais prolongado.
O artigo pode ser acessado no link – DOI: 10.1016/j.radonc.2026.111719.
Dr. Rafael G. Gullo
Médico Rádio -Oncologista Instituto Oncológico – Rio de Janeiro
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