As náuseas e vômitos induzidos por radioterapia (NVIR) são frequentes nos tratamentos abdomino-pélvicos e representam um desafio para a prática clínica do radio-oncologista.
Visando melhorar esse cenário, este ensaio clínico de fase 3, duplo-cego e controlado por placebo avaliou 301 pacientes, randomizados para receber o antiemético padrão (ondansetrona 4mg, duas vezes ao dia) associado a olanzapina 5mg, uma vez ao dia (n=148) ou a placebo (n=153).
Os resultados evidenciaram que 85,8% dos pacientes no grupo olanzapina não apresentaram náuseas, em comparação a apenas 16,3% no grupo controle, refletindo também na diminuição da severidade dos vômitos e da necessidade de medicação de resgate.
Embora seja um estudo com população heterogênea, englobando desde pacientes submetidos a radioterapia exclusivamente pélvica (como RT de próstata) até casos de tumores gastrointestinais recebendo QT concomitante, o benefício profilático do medicamento foi demonstrado nos vários subgrupos e de forma consistente ao longo das semanas de tratamento.
Dessa forma, a associação de olanzapina à terapia padrão, que já é amplamente reconhecida pelo seu papel no tratamento de náuseas e vômitos induzidos por QT, passa a representar uma ferramenta importante também no manejo das NVIR. Por se tratar de um medicamento seguro na dose testada, acessível e com impactos adicionais benéficos, como a melhora do sono e a redução da ansiedade, a olanzapina pode ser uma aliada importante no arsenal terapêutico do radio-oncologista.
Link para acesso: https://www.thegreenjournal.com/article/S0167-8140(26)00410-X/abstract?utm
Dr. Hélcio Siqueira
Médico radio-oncologista no CTR em Ribeirão Preto
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Radioterapia
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