Estudo randomizado sobre diferentes doses de radiação na quimiorradioterapia neoadjuvante para carcinoma de células escamosas do esôfago torácico ressecável

O estudo Neo-DRATEC, publicado no International Journal of Radiation Oncology, Biology, Physics (2026), é o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar duas doses de radioterapia na quimiorradioterapia neoadjuvante para pacientes com carcinoma espinocelular (CEC) de esôfago torácico ressecável. Foram incluídos 147 pacientes, randomizados para receber 41,4 Gy em 23 frações ou 50,4 Gy em 28 frações, ambos os esquemas associados à quimioterapia semanal com carboplatina e paclitaxel, seguidos de cirurgia quando indicada. O objetivo principal foi avaliar a sobrevida livre de progressão em dois anos.

Após seguimento mediano de aproximadamente 49 meses, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos na sobrevida livre de progressão (56,7% vs. 49,3%; HR 0,72; p=0,14) nem na sobrevida global em dois anos (63,9% vs. 61,3%; p=0,15). Da mesma forma, não foram observadas diferenças nas taxas de recorrência, metástases à distância ou complicações cirúrgicas.

Em relação à resposta patológica, a taxa de resposta patológica completa foi numericamente superior com 50,4 Gy (50,0% vs. 32,7%), porém sem significância estatística (p=0,078). Por outro lado, a taxa de resposta patológica maior (MPR), definida como ≤10% de tumor viável residual, foi significativamente maior com a dose de 50,4 Gy (73,9% vs. 52,7%; p=0,029), sugerindo maior regressão tumoral local com o escalonamento da dose.

Como esperado, a maior dose esteve associada a aumento da incidência de esofagite grau ≥2, sem impacto nas complicações pós-operatórias ou na mortalidade relacionada ao tratamento.

Os autores concluem que o aumento da dose de radioterapia de 41,4 Gy para 50,4 Gy na neoadjuvância do CEC de esôfago não proporciona ganho em sobrevida, embora aumente significativamente a MPR. Esses achados reforçam que o escalonamento rotineiro da dose não deve ser adotado com o objetivo de melhorar a sobrevida, mas sugerem que 50,4 Gy pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente em estratégias de preservação de órgão ou quando uma resposta tumoral mais profunda seja desejável, sempre ponderando o maior risco de toxicidade esofágica.

Dra. Anne Karina Kiister Leon 
Hospital Santa Rita de Cássia – HSRC
Instituto Radioterapia Vitória – IRV
Núcleo especializado em Oncologia – NEON

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