O estudo “Safety and Feasibility of Stereotactic Body Radiation Therapy for Patients With Hepatocellular Carcinoma and Advanced Cirrhosis Awaiting Liver Transplantation” avaliou a segurança e viabilidade da radioterapia estereotáxica (SBRT) como tratamento para proporcionar controle local da doença até o momento do transplante hepático em pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) e cirrose avançada (a partir de Child-Pugh B8).
Foram incluídos nove pacientes, com idade maior ou igual a 18 anos, KPS > 60, expectativa de vida maior que 12 semanas e pelo menos 700cc de tecido hepático não afetado; todos elegíveis para transplante hepático e dentro dos critérios de Milão. O tratamento consistiu em SBRT com dose de 40 Gy em 5 frações (em dias alternados) para uma única lesão hepática. As técnicas utilizadas foram: simulação com tomografia contrastada, manejo respiratório com apneia expiratória/respiração livre com compressão abdominal, arcoterapia volumétrica modulada e radioterapia guiada por imagem com cone beam.
O objetivo primário foi avaliar a manutenção da elegibilidade para transplante até 1 ano após a SBRT com controle local da doença. Entre os desfechos secundários estão sobrevida global, doença hepática induzida por radiação não clássica, e eventos adversos de toxicidade hepática até 3 meses após a SBRT.
A mediana de seguimento do estudo foi de 11,2 meses. Seis pacientes permaneceram elegíveis ou realizaram transplante hepático após a SBRT. O controle local foi de 100%, sem progressão intra-hepática/extra-hepática observada pelos critérios mRECIST. A sobrevida global em 1 ano foi de 88,9%. Em relação à toxicidade, apenas um paciente apresentou toxicidade hepática grave. Não houve casos de doença hepática induzida por radiação (RILD) não clássica.
Os autores concluem que a SBRT pode ser uma terapia ponte segura e eficaz em pacientes com CHC e cirrose avançada aguardando transplante hepático, especialmente em indivíduos frequentemente excluídos de outras terapias locorregionais devido ao alto risco de descompensação hepática. Apesar do pequeno número de pacientes, os resultados apoiam a realização de estudos multicêntricos maiores para validar essa abordagem.
O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/j.ijrobp.2025.12.023
Dra. Lídia Duarte Costa
Residente do 2º ano de radioterapia do Hospital da Baleia em Belo Horizonte
Dra. Izabella Nobre Queiroz
Supervisora da residência do Hospital da Baleia em Belo Horizonte
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