Radioterapia hipofracionada para o câncer de mama em 1 semana versus 3 semanas (fast-forward)

Análise de 10 anos de eficácia e toxicidade tardia em estudo multicêntrico, open label, de não inferioridade, randomizado fase 3 e resultados de 5 anos de subanálise axilar.


O estudo FAST-Forward avaliou a eficácia e segurança de esquemas hipofracionados de radioterapia adjuvante em câncer de mama inicial.
Foram incluídas pacientes: ≥18 anos, com carcinoma invasivo da mama (pT1–3, pN0–1, M0), submetidas à cirurgia conservadora ou mastectomia.

As participantes foram randomizadas (1:1:1) para receber 40 Gy em 15 frações durante 3 semanas, 27 Gy em cinco frações em 1 semana ou 26 Gy em cinco frações também em 1 semana. O volume de tratamento foi: a mama inteira ou parede torácica. O desfecho primário foi: não inferioridade quanto à recorrência ipsilateral na mama.

A análise planejada de 10 anos incluiu 4.087 pacientes, na população com intenção de tratar, com seguimento mediano de 10,1 anos. A recidiva mamária ipsilateral ocorreu em 116 pacientes: 45 no grupo 40 Gy, 41 no grupo 27 Gy e 30 no grupo 26 Gy. A incidência cumulativa em 10 anos foi de 3,6% (IC95% 2,7–4,9) para 40 Gy, 2,9% (2,1–4,0) para 27 Gy e 2,1% (1,5–3,1) para 26 Gy, confirmando a não inferioridade do esquema de 26 Gy. A recidiva locorregional também permaneceu baixa, com taxas semelhantes entre os grupos. A sobrevida global em 10 anos foi de 85,2% no grupo 40 Gy, 84,3% no grupo 27 Gy e 85,1% no grupo 26 Gy.

Em relação a toxicidade tardia, foram achados incidência de efeitos moderados ou graves na mama ou parede torácica de 13,1% para 40 Gy, 19,3% para 27 Gy e 14,4% para 26 Gy. O esquema de 27 Gy apresentou maior frequência de retração mamária e endurecimento, sugerindo maior toxicidade. Os desfechos relatados pelas pacientes, incluindo alteração estética e redução do volume Mamário, foram semelhantes entre 26 Gy e 40 Gy.

Eventos tardios graves, como fratura de costela, fibrose pulmonar sintomática e cardiopatia isquêmica, foram raros em todos os grupos. Foram observados 11 casos de angiossarcoma secundário relacionado à radiação, sem aumento associado ao hipofracionamento.

A análise de subgrupo que recebeu irradiação nodal, com 466 pacientes submetidas à irradiação axilar, demonstrou incidência de recidiva locorregional em 5 anos de 4,1% para 40 Gy e 4,2% para 26 Gy.

No entanto, os intervalos de confiança relativamente amplos refletem o tamanho menor da coorte. Com os dados do desfecho primário tendo demonstrado anteriormente a segurança deste esquema para radioterapia axilar, 26 Gy em cinco frações pode ser considerado uma opção para pacientes que necessitam de tratamento axilar, com a devida discussão em relação às incertezas remanescentes, que deve ser considerada na tomada de decisão compartilhada para pacientes que estejam avaliando a radioterapia axilar ultra hipofracionamento.

Em contrapartida, os dados de 10 anos sobre eficácia, efeitos nos tecidos normais e custo-efetividade apoiam a adoção generalizada do esquema de 26 Gy em cinco frações ao longo de 1 semana para radioterapia da mama total ou parcial ou da parede torácica.

O artigo pode ser acessado no link – https://doi.org/10.1016/S1470-2045(26)00076-8

Dra. Bruna Bonaccorsi
Médica Rádio-oncologista do Cancer Center Oncoclínicas-Nova Lima, MG.

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