Ultra-hipofracionamento e Boost Integrado Simultâneo no Câncer de Mama: Análise de Efeitos Colaterais Precoces

A radioterapia no tratamento do câncer de mama tem crucial importância, sobretudo no controle locorregional da doença e na sobrevida das pacientes. Nesse sentido, diversos estudos sobre o fracionamento radioterápico têm sido discutidos, a fim de otimizar o tempo de tratamento, sem acarretar em piora da toxicidade. Dentre as opções preconizadas, o ultra hipofracionamento (UHF, 26 Gy em 5 dias) tem se mostrado interessante e eficaz.

Pensando nisso, o estudo “Ultrahypofractionation and Simultaneous Integrated Boost (SIB) in Breast Cancer: Early Side Effects Analysis” teve por objetivo avaliar a os efeitos adversos precoces resultantes da adição de boost (29 Gy em 5 frações) ao ultra hipofracionamento, nos pacientes tratados aos moldes do FAST-Forward trial.

De fato, este estudo prospectivo utilizou 242 pacientes, com uma média de idade de 61 anos no período de abril a dezembro de 2020. Para tanto, comparou pacientes que receberam apenas UHF com pacientes que receberam UHF associado a boost simultâneo (SIB). As técnicas utilizadas foram, sobretudo, VMAT e IMRT, mas também incluíram IMRT-3D e 3D, além de Conebeam CT diário nos casos que receberam boost. Já os efeitos adversos considerados foram edema e eritema.

Os resultados obtidos mostraram que, ao fim do tratamento, 43,6% dos pacientes com a dose adicional (SIB) tiveram eritema, enquanto 44% dos tratados apenas com UHF apresentaram tal sintoma. Em adição, 14,5% dos pacientes com boost tiveram edema, comparado a 20,5% dos demais. Após 3 meses, não foram identificadas alterações clínicas significativas. Ademais, após 6 meses, evidenciou-se que apenas 3% do total apresentaram algum grau de eritema. Em suma, dos pacientes que receberam boost, 2,6% apresentaram eritema e 15,4% edema; enquanto nos pacientes tratados apenas com UHF, obteve-se 3% de eritema e 13,7% de edema.

Nesse sentido, o estudo demonstrou que não há significância estatística nos dados obtidos na comparação entre os dois grupos. Sendo assim, o reforço de dose não altera a cosmese do tratamento ultra hipofracionado, sendo uma opção factível, o que pode contribuir para uma melhor qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, são necessários outros estudos que avaliem efeitos adversos tardios.

Fernanda Caroline Furlan – R1 Hospital de Base de São José do Rio Preto (FAMERP)

Dr.  Renato José Affonso Jr.

Radioterapeuta Hospital de Base de São José do Rio Preto (FAMERP)

🔹🔹Sede SBRT🔹🔹

Pça. Oswaldo Cruz, 124

Cj. 52 | Paraíso | São Paulo

Tel: (11) 3262-3976

WhatsApp: (11) 99843-3231

sbradioterapia@sbradioterapia.com.br

Comments are closed.