Contexto
O tratamento ideal após a cirurgia conservadora de mama em mulheres idosas com câncer de mama de baixo risco e estágio inicial ainda não está claro. O estudo EUROPA busca comparar os efeitos da radioterapia e da terapia endócrina como tratamentos únicos na qualidade de vida (QOL) e na recorrência local ipsilateral (IBTR) nessa população.
Métodos
Este estudo de fase 3, randomizado e de não inferioridade, foi realizado em 18 hospitais acadêmicos na Itália e na Eslovênia. Foram incluídas mulheres com 70 anos ou mais, com câncer de mama luminal A em estágio I confirmado, que passaram por cirurgia conservadora de mama e apresentavam bom desempenho funcional (ECOG 0 ou 1). As pacientes foram aleatoriamente designadas (1:1) para terapia endócrina ou radioterapia. A terapia endócrina incluía inibidores de aromatase ou tamoxifeno por 5–10 anos, enquanto a radioterapia era administrada em 5–15 frações. A randomização foi estratificada por saúde geral (G8) e idade. Os desfechos principais foram a mudança na QOL em 24 meses, medida pela escala GHS do EORTC QLQ-C30, e as taxas de IBTR em 5 anos (não relatadas aqui). Esta análise interina incluiu 152 pacientes com dados de QOL aos 24 meses. O estudo está registrado no ClinicalTrials.gov (NCT04134598) e ainda recruta pacientes.
Resultados
Entre março de 2021 e junho de 2024, 731 mulheres foram randomizadas para radioterapia (n=365) ou terapia endócrina (n=366). A análise incluiu 207 pacientes, com idade mediana de 75 anos no grupo de radioterapia e 74 anos no de terapia endócrina. Aos 24 meses, a mudança média ajustada no GHS foi –3,40 no grupo de radioterapia e –9,79 no de terapia endócrina, com uma diferença média ajustada de 6,39 a favor da radioterapia (p=0,045). Eventos adversos foram menos frequentes no grupo de radioterapia (67% vs 85%). Os eventos adversos mais graves incluíram artralgia, fadiga, e fraturas, mais comuns no grupo de terapia endócrina. Não houve mortes relacionadas ao tratamento.
Interpretação
A terapia endócrina resultou em maior redução da QOL em comparação com a radioterapia em 24 meses. Esses resultados preliminares sugerem que a radioterapia pode resultar numa melhor preservação da qualidade de vida em mulheres idosas com câncer de mama de baixo risco, embora mais dados sobre controle da doença sejam necessários para conclusões definitivas.
O estudo foi apresentado no último SABC e o link para a sua publicação na revista lancet oncology segue abaixo:
https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(24)00661-2/abstract
Andre Gouveia, MD
McMaster University, Juravinski Cancer Centre
Department of Oncology – Division of Radiation Oncology
Hamilton, ON, Canadá

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