ISRT é igualmente eficaz e menos tóxica do que a IFRT em pacientes que recebem tratamento combinado para linfoma de Hodgkin desfavorável em estado inicial – uma análise do estudo randomizado de fase 3 hd17 do ghsg

Em pacientes com Linfoma de Hodgkin (LH) há uma constante tentativa de desescalonamento do tratamento, tanto da radioterapia (RT) como da quimioterapia (QT). O tratamento combinado (QT e RT de consolidação) continua o padrão naqueles com estadio inicial. Apesar da discussão sobre omissão da RT em pacientes iniciais desfavoráveis com resposta à QT intensificada com BEACOPP, a indicação de RT de consolidação após ABVD se mantém.

Com o intuito de diminuir as toxicidades à RT, há uma tendência em diminuir o campo/volume de tratamento. Após a substituição do EFRT (extended-field RT) pelo IFRT (involved-field RT), foi desenvolvida a técnica de INRT (involved-node RT), em que apenas os linfonodos inicialmente acometidos são irradiados. Uma modificação do INRT é o ISRT (involved-site RT), que leva em consideração variações de posicionamento dos exames pré e pós-QT.

O estudo HD17 do German Hodgkin Study Group (GHSG), publicado na Lancet em 2021, randomizou pacientes com LH desfavoráveis entre tratamento guiado pelo PET-4 (após 4 ciclos de QT) ou tratamento padrão. Os pacientes foram tratados com 2 ciclos de BEACOPPescalonado e 2 ciclos de ABVD. No braço padrão, realizaram RT de consolidação com 30 Gy com técnica IFRT, independente do resultado do PET-4. No grupo experimental, apenas os pacientes com PET-4 positivo realizaram consolidação, com técnica INRT, mas que se assemelha mais à descrição de ISRT. O estudo foi realizado para avaliar a estratégia PET-adaptada na decisão de omitir ou não a RT.

Apesar de não ser o foco do estudo, diferentes modalidades de delineamento foram utilizadas com o objetivo de reduzir ainda mais a toxicidade da RT com tratamento guiado por PET.

A publicação atual (IJROBP, 2024) faz uma análise post hoc dos pacientes do HD17 com PET-4 positivo, sendo o primeiro estudo a comparar as técnicas INRT/ISRT com IFRT em termos de segurança e eficácia de forma randomizada.

Dos 1100 pacientes do estudo, 311 tiveram o PET positivo após QT. A sobrevida livre de progressão (SLP) em 4 anos foi de 96,8% no grupo IFRT e 95,4% no grupo ISRT. A análise do padrão de recorrência mostra que nenhum dos casos de progressão de doença ou recorrência no grupo ISRT teria sido evitada com o uso de IFRT.

Efeitos adversos grau 3/4 ocorreram em 8,5% dos pacientes no grupo IFRT vs. 2,6% no grupo ISRT (p = 0.03). Mucosite grau 3/4 foi significativamente maior no IFRT (4,6% vs. 0% no ISRT, p = 0.01).

Com isso, ISRT não demonstrou desvantagem significativa em relação ao IFRT em SLP e resultou em menor taxa de toxicidade aguda (mucosite e reações locais). O estudo reforça o uso de ISRT como padrão na RT para linfoma de Hodgkin, conforme diretrizes do International Lymphoma Radiation Oncology Group (ILROG).

Artigo publicado em: https://www.redjournal.org/article/S0360-3016(20)30943-3/fulltext

Alice Roxo Nobre de Souza e Silva

Radio-oncologista

Hospital Sírio-Libanês

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo

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