Desde 1999, o tratamento padrão para o câncer de colo de útero localmente avançado tem sido a combinação de radioterapia externa com quimioterapia, seguida de braquiterapia. Apesar do intuito curativo, o prognóstico ainda é limitado, com taxas de sobrevida livre de progressão e de sobrevida global variando entre 47% e 80% em 5 anos. O pembrolizumabe, anticorpo monoclonal anti-PD-1, já é aprovado para a doença cervical persistente, recorrente ou metastática.
O estudo de fase 3 KEYNOTE-A18 (ENGOT-cx11/GOG-3047), randomizado e duplo-cego, avaliou a adição de pembrolizumabe à quimiorradioterapia no cenário curativo. Foram incluídas 1.060 pacientes com câncer de colo uterino recém-diagnosticado em estágios IB2 a IVA (FIGO 2014), randomizadas para receber quimiorradioterapia associada a pembrolizumabe ou placebo (5 ciclos a cada 3 semanas), seguidos de tratamento adjuvante com pembrolizumabe ou placebo por até 15 ciclos (a cada 6 semanas).
Após o seguimento mediano de 17,9 meses, houve benefício significativo em sobrevida livre de progressão no grupo do pembrolizumabe (68% em 24 meses vs. 57% no grupo controle). A sobrevida global ainda não alcançou significância estatística na análise interina (87% vs. 81% em 2 anos; HR 0,73; IC 95%: 0,49–1,07). Eventos adversos de grau 3 ou maior ocorreram em 75% das pacientes no grupo pembrolizumabe, contra 69% no grupo controle, sendo considerados manejáveis.
O KEYNOTE-A18 é o primeiro estudo a demonstrar ganho clínico com imunoterapia no tratamento curativo do câncer de colo uterino localmente avançado, configurando um novo paradigma terapêutico.
DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)00317-9
Dra. Victoria Costamilan Biolo
Médica Radio-oncologista
Santa Casa de Porto Alegre
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