A indicação de irradiação eletiva dos linfonodos pélvicos no câncer de próstata localizado continua sendo um assunto controverso

O estudo do RTOG-0924 (randomizado, fase 3) procurou esclarecer quando a adição de irradiação linfonodal pélvica melhora a sobrevida em pacientes de risco intermediário desfavorável e de alto risco.

Considerando o incremento na indicação do hipofracionamento moderado e extremo no tratamento do câncer primário da próstata o presente estudo avalia a eficácia e segurança da irradiação ultra-hipofracionada dos linfonodos pélvicos.

Foram avaliados 4 estudos prospectivos fase 2 (SATURN, SPARE, 5STAR, 5STARPC) contemplando o total de 165 pacientes de risco intermediário e alto risco (59%) com seguimento médio de 38 meses. Os pacientes foram tratados com escalonamento de dose sobre a próstata através de braquiterapia- HDR ou boost com SBRT associado a irradiação linfonodal pélvica com a dose de 25 Gy em 5 frações semanais. A hormonioterapia foi indicada em 85% dos pacientes e por um tempo médio de 8,2 meses.

O objetivo primário do estudo foi a avaliação da toxicidade aguda gênito-urinária (GU) e gastrointestinal (GI) (CTCAE v3.0/4.0) e os secundários, a toxicidade tardia GU e GI, qualidade de vida e controle bioquímico.

Como resultado foram observadas as seguintes  percentagens de pacientes com toxicidades agudas GU e GI :

18,5% –  51,4%   grau 0,

30,8% – 41,1%   grau 1,

48% – 7,5%        grau 2,

2,7% – 0%          grau 3,

Não houve toxicidade  grau 4+

A toxicidade GU aguda e tardia mais frequente foi a retenção urinária em 55 pacientes, mas somente 3 casos com grau 3 agudo e nenhum caso grau 3 ou 4 tardio. Deve-se atentar que quase a metade dos pacientes apresentaram toxicidade grau 2 GU aguda e tardia.

Considerando a toxicidade GI referente a proctite aguda e tardia não ocorreu em frequência elevada e, nenhum caso grau graduado como 3 ou 4. A toxicidade grau dois aguda e tardia GI teve baixa frequência e com sintomas mais brandos.

As alterações intestinais e sexuais foram piores no primeiro ano de acompanhamento quando comparados à avaliação inicial. O controle bioquímico em 3 anos foi de 98% (85% dos pacientes receberam hormonioterapia).

Os autores concluem que a incidência de toxicidade grau 3 é baixa quando os linfonodos pélvicos são tratados eletivamente com a radioterapia ultra-hipofracionada.

Ressaltam que estudos de fase 3 são necessários para uma melhor compreensão desses resultados.

O artigo completo pode ser consultado no link

https://www.thegreenjournal.com/article/S0167-8140(21)06711-6/fulltext

 

Dr. Wilson Almeida Jr.
Rádio-oncologista Responsável Técnico
Unidade de Radioterapia
Hospital Moinhos de Vento-Porto Alegre – RS

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