Radioterapia adjuvante em carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco é associada a redução do risco de recidiva locorregional e metástaselinfonodal: estudo de coorte multicêntrico retrospectivo

A radioterapia adjuvante (ART) no carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco (HRCSCC) permanece um tema com indicações heterogêneas na literatura. Este estudo de coorte multicêntrico retrospectivo avaliou o impacto da ART em 1267 tumores operados.

A coorte incluiu pacientes de alto risco (estádios BWH T2b/T3 ou AJCC8 T3/T4) submetidos à ressecção completa com margens negativas. Destes, 12,2% (155) receberam adjuvância. Quando reportada, a técnica incluiu elétrons ou IMRT/VMAT, com dose mediana de 60 Gy, podendo chegar a 66 Gy em fracionamento convencional.

Para mitigar o viés de indicação, aplicou-se ponderação pelo inverso da probabilidade de tratamento (IPW) e modelagem de riscos competitivos. Na análise multivariada, a ART associou-se a uma redução relativa de aproximadamente 50% no risco de recidiva local (CHR 0,47), recidiva locorregional (CHR 0,47) e metástase linfonodal (CHR 0,45). Em termos absolutos, a incidência cumulativa em 5 anos caiu de 11,9% para 5,9% na recidiva local, de 17,8% para 9,0% na locorregional, e de 9,5% para 4,6% nas metástases nodais.

O benefício foi mais pronunciado em subgrupos de maior risco, especialmente tumores BWH T3, T2b com três fatores de risco (diâmetro tumoral ≥ 2cm, invasão profunda, grau histológico pouco diferenciado e invasão perineural) ou presença de invasão linfovascular. Neste cenário, a ART reduziu a incidência em 5 anos da recorrência locorregional de 36,6% para 20%, e de metástase linfonodal de 21,1% para 9,6%. Não houve impacto estatisticamente significativo na mortalidade específica pela doença (CHR 0,83).

Como limitações, destacam-se o desenho retrospectivo com possível viés residual e a ausência de padronização de dose e de volumes-alvo de irradiação.

Em síntese, a ART em HRCSCC com margens livres reduz de forma consistente os eventos locorregionais. A adequada estratificação prognóstica é mandatória para selecionar os pacientes com maior potencial de ganho absoluto, justificando a toxicidade do tratamento.

O artigo pode ser acessado no link:
https://www.redjournal.org/article/S0360-3016(25)06393-X/abstract

Dr. Marco Antônio Valente Roque
Residente do 3o ano- Hospital da Baleia. Belo Horizonte- MG

Dra. Bruna Bonaccorsi
Supervisora PRM- Hospital da Baleia. Belo Horizonte- MG

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