Foi desenvolvido um nomograma prognóstico com o objetivo de estimar o risco de falha locorregional (FLR) e quantificar o benefício da radioterapia pós-operatória (PORT) sobre a sobrevida global (SG) em pacientes com carcinoma espinocelular (CEC) da cavidade oral pN0.
O modelo baseou-se em uma análise retrospectiva multicêntrica, incluindo pacientes com CEC oral não metastático (pT1–T4N0M0, 8ª edição da UICC/AJCC) tratados com ressecção cirúrgica do tumor primário associada à dissecção cervical com intenção curativa, entre 1994 e 2017, em quatro grandes centros oncológicos.
Foram identificados nove fatores prognósticos independentes associados ao risco de recorrência locorregional (RLR):
- categoria pT avançada
- maior grau histológico
- invasão perineural
- margens cirúrgicas comprometidas
- dissecção cervical inadequada (< 18 linfonodos examinados)
- ausência de PORT
- localização primária na língua oral
- invasão linfovascular
- tabagismo atual ou prévio
Com base nesses fatores, os pacientes foram estratificados em quatro grupos de risco de RLR em 3 anos:
- Baixo risco: 6%
- Risco padrão: 12%
- Risco intermediário: 23%
- Alto risco: 27%
No total, 1.094 pacientes com CEC oral pN0 foram incluídos na análise, dos quais 39% receberam PORT. Após seguimento mediano de 4,7 anos, a taxa de RLR em 3 anos foi estaticamente menor para pacientes submetidos à PORT no grupo de risco intermediário (19% vs. 28%) e de alto risco (22% vs. 38%), o que resultou em melhor sobrevida global (SG) após a PORT (78% vs 70%, e 73% vs 45%) nos grupos de risco intermediário e alto, respectivamente.
Embora o nomograma represente uma ferramenta clínica potencialmente útil para apoiar a decisão sobre tratamento adjuvante, seus resultados devem ser interpretados com cautela, uma vez que derivam de dados retrospectivos, sujeitos a vieses de seleção e heterogeneidade terapêutica. Assim, o modelo necessita de validação prospectiva, preferencialmente em cenários contemporâneos e mais padronizados, antes de sua aplicação rotineira e confiável na prática clínica.
Artigo disponível no link – DOI: 10.1016/j.ijrobp.2025.09.011
Dr. Henrique Hott
Médico radio-oncologista do Instituto do Câncer de Curvelo
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