Esse artigo foi publicado na revista Journal of Clinical Oncology Global Oncology em 03 de outubro de 2025 e consistiu em um estudo retrospectivo com pacientes metastáticos, com doença oligometastática (OM) ou oligoprogressiva (OP), de tumores sólidos tratados com Radioterapia Corporal Estereotáxica (SBRT) no período de 2019 a 2023.
Todos os pacientes no estudo eram adultos, possuindo uma pontuação de 0-2 no Eastern Cooperative Oncology Group e expectativa de vida ≥ 6 meses. Os pacientes tinham de uma a cinco OM ou OP lesões com tumor primário controlado, não eram elegíveis a continuar a terapia sistêmica, recusaram a cirurgia ou eram inadequados para outros tratamentos locais. Para casos de OP, as metástases restantes deveriam estar estáveis ou controladas. Paciente com SBRT prévia em metástases foram excluídos do estudo.
Os desfechos primários foram as taxas de 1 e 2 anos de Liberdade de Introdução ou Troca de Tratamento Sistêmico (LITTS) e Controle Local (CL). Os eventos de LITTS incluíram o início, a troca ou a incapacidade de administrar terapia sistêmica quando necessário. CL foi o tempo entre a SBRT e a recorrência local, o último acompanhamento ou óbito. O desfecho secundário foi a Sobrevida Global (SG) em 1 e 2 anos, definida entre a SBRT e o óbito ou último acompanhamento.
Um total de 200 pacientes foram incluídos. A idade mediana foi de 60 (IQR, 49-70) anos. Os tumores primários mais comuns foram colorretal (61, 30,5%), mama (30, 15,0%), pulmão (28, 14,0%), cabeça e pescoço (23, 11,5%) e próstata (16, 8,0%). A maioria dos pacientes (173, 86,5%) apresentava doença de baixa gravidade.
Um total de 257 lesões metastáticas foram tratadas. O osso foi o local mais frequente (115, 44,7%), seguido pelo fígado (55, 21,4%), pulmão (44, 17,1%), linfonodos (25, 9,7%) e glândulas suprarrenais (11, 4,3%).
O acompanhamento mediano foi de 15 meses. A LITTS em 1 e 2 anos foi de 52% e 39%, respectivamente. O CL em 1 e 2 anos foi de 86,3% e 80%, respectivamente. A SG em 1 e 2 anos foi de 76,5% e 64,8%, respectivamente. Toxicidade de grau III foi relatada em 1,5% dos pacientes em geral, sem toxicidade de grau IV ou V observada.
Em conclusão, a SBRT é eficaz e segura para tratar cânceres sólidos OM e OP, prolongando o LITTS e potencialmente atrasando tratamentos sistêmicos, especialmente em ambientes com acesso limitado a terapias avançadas.
DOI: 10.1200/GO-25-00004
Link: https://ascopubs.org/doi/10.1200/GO-25-00004
Izabella Nobre Queiroz
Médica Radio oncologista e coordenadora da residência médica em Radio Oncologia do Hospital da Baleia
Sócia titular da SBRT
Belo Horizonte – Minas Gerais
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