Recorrência locorregional (RLR) após cistectomia radical em pacientes com doença cT3-
4N0-N+ é relativamente alta, com aproximadamente 1/3 frequência. Quimioterapia (QT)
neoadjuvante ou adjuvante reduz taxas de doença a distância, mas não as taxas RLR nessa
população. Fato também observado no uso de imunoterapia adjuvante como demonstrado
nos estudos Ambassador e CheckMate 274. Falhas locais raramente são resgatadas devido a
proximidade do intestino delgado restringindo o uso de dose alta de radioterapia (RT). RT
adjuvante tem sido proposta para reduzir a taxa de RLR e tem sido o padrão no Egito e em
partes do Médio Leste. Um estudo randomizado de fase 2 do Instituto Nacional do Câncer
do Egito avaliou QT adjuvante e RT X QT adjuvante isolada em pacientes pT3-4N0-N+ com
margens negativas após cistectomia radical sendo maioria carcinoma urotelial. Os resultados
exibem uma melhora significativa no controle locorregional (endpoint primário) com adição
de RT adjuvante, com taxas em 2 anos de 96% versus 69% (P < 0,01). Este estudo empregou
RT conformada 3D e relatou um perfil de toxicidade favorável, sendo gastrointestinal (GI)
tardio grau 3+ de 6,7% para QT + RT versus 2,2% apenas para QT. IMRT oferece um potencial
ainda maior de redução da toxicidade. Um recente ensaio randomizado do Egito publicado
no Red Journal em 2024 relatou 122 pacientes com câncer urotelial de bexiga avançado
submetido a cistectomia radical +/- QT neoadjuvante que foram aleatorizados para receber
IMRT adjuvante de 50 Gy em 25 frações em drenagem pélvica e leito de cistectomia X
observação. 24 pacientes receberam RT adjuvante e 30 QT neoadjuvante. A sobrevida livre
de recorrência locorregional em 3 anos foi 81% (IC 95%,69%-94%) braço de RT adjuvante X
71% (IC 95%, 60%-80%; P < 0,05). Toxicidade aguda grau 3 GI foi observada em 3% no braço
de RT adjuvante. The Bladder Adjuvante RadioTherapy (BART) do Tata Memorial Hospital
favorece dados sobre a segurança/tolerabilidade da RT adjuvante principalmente naqueles
pacientes de maior risco de falha local-regional, doença pT3-4 com <10 Linfonodos
removidos ou margens positivas. Ressalta-se que no BART o leito foi incluído em todos os
pacientes, independentemente do status da margem. Com advento da imunoterapia
adjuvante como tratamento padrão para câncer de bexiga localmente avançado após
cistectomia, estudos futuros devem considerar a combinação de RT adjuvante e
imunoterapia. Em países com recursos limitados onde a imunoterapia adjuvante não está
disponível, a RT adjuvante é uma solução promissora e eficaz.
Artigo publicado em: https://www.redjournal.org/article/S0360-3016(24)03412-6/abstract
Dra. Anne Karina Kiister Leon
Hospital Santa Rita de Cássia – HSRC
Instituto Radioterapia Vitória – IRV
Núcleo especializado em Oncologia – NEON
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