Estudo PROSPECT: Omissão de Radioterapia em Pacientes com Câncer de Mama Localizado

A radioterapia adjuvante é comum no tratamento inicial do câncer de mama, mas questionamos se isso pode representar um tratamento excessivo. Este estudo busca determinar se a combinação de achados de RM e patologia pode identificar mulheres com câncer de mama verdadeiramente localizado, permitindo a segura omissão da radioterapia pós-cirurgia.

O estudo PROSPECT, publicado na LANCET, é um ensaio prospectivo, multicêntrico, sobre a omissão da radioterapia em pacientes selecionadas com base em RM pré-operatória e patologia tumoral pós-operatória. Realizado em quatro hospitais universitários na Austrália, o estudo incluiu mulheres com 50 anos ou mais, com câncer de mama não-triplo-negativo cT1 cN0. O grupo 1, com câncer unifocal, avaliou 201 pacientes, passou por cirurgia conservadora de mama e omitiu a radioterapia, enquanto o grupo 2, com 242 pacientes, recebeu tratamento padrão, incluindo a excisão de cânceres adicionais detectados por RM. Todas foram recomendadas à terapia sistêmica, predominantemente hormonioterapia (98%).

Nesse estudo se avaliou a recorrência ipsilateral, além da qualidade de vida e custo efetividade do tratamento proposto. No grupo 1, com omissão da radioterapia, avaliou os resultados demonstraram uma taxa de recorrência ipsilateral (RI) em 5 anos de 1,0% com aumento mínimo ao longo do tempo. A análise dos anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs) indicou um aumento de 0,019, e a abordagem PROSPECT demonstrou economia significativa, poupando AU$1980 ou £953 por paciente, na realidade australiana.

Embora o estudo abra caminho para a omissão segura da radioterapia em mulheres com câncer unifocal e patologia favorável, ressaltamos a controvérsia sobre o uso da RM pré-operatória em pacientes de baixo risco. A intervenção da RM no PROSPECT não foi isenta de aumento de procedimentos, gerando quase 200 biópsias e cinco das nove mastectomias observadas, devido à presença de tumores multicêntricos.

É importante notar que pacientes do grupo 2, tratadas com radioterapia, apresentavam tumores mais complexos e/ou em estágio mais avançado do que as do grupo 1, submetidas à pré-seleção com RM. Portanto, esses dados não são suficientes para alterar práticas clínicas diárias, sendo necessário replicá-los em ensaios multicêntricos e internacionais. Além de um follow-up maior, lembrando que o estudo PRIME só demonstrou benefício para radioterapia após 10 anos.

Outro ponto relevante é que o estudo teve início em 2011, e, desde então, a radioterapia evoluiu consideravelmente, proporcionando tratamentos mais curtos e menos tóxicos.  Essa evolução da radioterapia contribuiu para controle local em pacientes com tumores unifocais e micro tumores satélites, multifocais e multicêntricos, utilizando 5 dias de tratamento ou menos.

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