Gerais Notícias

O Câncer de mama na mídia: ficção e realidade bem diferentes

Uma polêmica agitou as redes sociais na semana dos namorados. Trata-se do caso de uma personagem da novela da Rede Globo “A Dona do Pedaço” que descobre um câncer de mama.

A SBRT não poderia se esquivar de comentar o assunto após diversos posts de ONGs e de sociedades afins, como a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
No folhetim, o autor Walcyr Carrasco expõe o caso de Gilda, uma mulher aparentemente na pré-menopausa que encontra um nódulo de mama no autoexame.

O primeiro ponto que merece comentário é a forma como a doença é tratada por todos, jamais falando abertamente que se trata de um câncer, mas sim de “aquela doença”. Sabemos que esta estigmatização não colabora em nada para o enfrentamento da doença pela paciente e seus familiares.

O segundo ponto que merece discussão é relacionado ao tratamento propriamente dito: ao ser confirmado o diagnóstico de câncer de mama, seu médico lhe oferece a mastectomia como única opção de tratamento. Apesar de insistências de seu marido solicitando pela possibilidade de uma opção conservadora (quimioterapia e/ou radioterapia) o médico informa que a melhor alternativa terapêutica é o tratamento mutilante, segundo ele pelo estado avançado da doença, o que demonstra falta de sensibilidade e desrespeito à um princípio ético extremamente importante, que é a vontade da paciente.

Nos dias atuais, a mastectomia é uma opção adequada, mas não a única. A quimioterapia neoadjuvante é uma realidade há várias décadas não sendo possível que esta opção não seja pelo menos considerada por um médico especialista. Considerando ainda que a doença seria avançada, a chance de haver indicação de quimioterapia é muito grande. Neste caso, a neoadjuvância abriria as portas para um tratamento cirúrgico conservador, e nesta situação a adição de radioterapia pós-operatória ofereceria índices de controle e sobrevida superponíveis à mastectomia. Adicionalmente, o autor perdeu a oportunidade de expor a situação caótica que se encontram os pacientes que precisam de radioterapia pelo SUS no país. Como a personagem alega que, por estar desempregada, perdeu seu plano de saúde, isso daria licença poética para a exposição do problema, cumprindo um possível papel social da novela.

É lamentável que ainda sejam veiculados na mídia situações absolutamente equivocadas como esta; e cabe às sociedades médicas alertar a população que a realidade é bem diferente do que tentam mostrar as novelas.
Esperamos que ainda haja tempo para que o autor possa alterar o rumo da conduta médica neste caso.  Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Radioterapia, se coloca à disposição da produção para esclarecer qualquer dúvida técnica que possa ajudar no desfecho deste caso.

Congresso SBRT 2019

Encontre um Especialista