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Em entrevista, presidente da SBRT analisa atual cenário da Radioterapia no país

No XX Congresso da SBRT, a mesa redonda Estratégias para Radioterapia, realizada em 16 de agosto, colocou em pauta questões relacionadas  ao desenvolvimento da radioterapia nos países da América Latina, a qualidade dos serviços prestados ao paciente e formas de colocar em prática parcerias que ampliem as iniciativas de pesquisa. Conversarmos com o presidente da SBTR, Arthur Accioly Rosa, sobre alguns pontos discutidos nessa sessão do evento. Confira a entrevista.


Por que a SBRT decidiu criar um selo de qualidade, apesar de já existirem no segmento da saúde acreditações, como a ONA e a Qmentum?

Dr. Arthur Accioly Rosa –  A radioterapia apresenta especificidades e processos de regulamentação muito bem definidos e estabelecidos. As certificações existentes no mercado cumprem seu papel, mas estão voltadas a avaliar processos genéricos relacionados a segurança do paciente. Por essa razão, detalhes importantes dos processos de radioterapia não são contemplados. Outra razão é que historicamente, nos últimos 25 anos, as intervenções de segurança nos processos de radioterapia aconteciam de forma relativa a acidentes. Mas evoluímos nesse aspecto e, atualmente, temos processos consolidados e validados. Exemplos dessa realidade são os equipamentos “record and verify”, que registram tudo e permitem, inclusive rastrear qualquer problema. Portanto, a ideia de desenvolver um selo de qualidade de radioterapia permite incorporar o que temos de melhor na literatura internacional e adaptar a nossa legislação.

Com isso, a SBRT também vai atuar como instituição certificadora?

Dr. Arthur Accioly Rosa – De forma alguma. Nosso propósito é desenvolver o produto – desde as políticas de qualidade, passando por treinamento, processos, registros, entre outros aspectos de segurança –, validar por meio de aplicação em alguns pilotos e deixar o trabalho de certificação para uma empresa especializada nessa tarefa.

Além da SBRT, há outras entidades envolvidas nesse projeto?

Dr. Arthur Accioly Rosa –  É um projeto colaborativo que envolve, além da SBRT, a Associação Brasileira de Física Médica e a Comissão Nacional de Energia Nuclear. Cada instituição tem um ou dois representantes que atuam diretamente nessa iniciativa de caráter institucional.

Na mesa redonda Estratégias para radioterapia, chamou a atenção a participação de diferentes entidades internacionais e uma preocupação em comum: investimento em formação e aperfeiçoamento profissional. Qual é sua visão em relação a esse tema?

Dr. Arthur Accioly Rosa – A presença de representantes da International Atomic Energy (IAEA), da European Society for Radiotherapy & Oncology (ESTRO) e da American Society for Radiation Oncology (ASTRO) nessa sessão do congresso é resultado do amplo trabalho de aproximação e relacionamento que a SBRT vem realizando há mais de dois anos. Em um cenário de robusto e rápido desenvolvimento tecnológico como o vivenciado pela radioterapia, a preocupação em investir no profissional para que ele saiba tirar o melhor dos recursos que tem à disposição faz todo sentido. No Brasil, por exemplo, há instituições que atuam com radiografia bidimensional e passam a ter o equipamento IMRT. É um salto muito grande, que torna a radioterapia uma ciência muito direcionada, ou seja, o profissional precisa estar capacitado para definir de maneira eficiente o alvo a ser irradiado. Se você erra, ter a tecnologia IMRT não trará qualquer benefício ao paciente.

Qual sua avaliação do cenário brasileiro em relação a recursos tecnológicos,  capacitação profissional e acesso da população ao tratamento?

Dr. Arthur Accioly Rosa – Considerando a disponibilidade da tecnologia e a capacitação profissional, a realidade brasileira é de contraste, temos centros de excelência e outros bem modestos. Também é nossa responsabilidade contribuir para disseminação de informações e treinamento para todos os profissionais envolvidos na radioterapia. Em minha opinião, os centros que têm tecnologia devem reunir condições para poder dar um tratamento de qualidade e seguro para o paciente. Em relação ao acesso da população às tecnologias radioterápicas mais modernas, o país vive um paradoxo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cobertura para radioterapia tridimensional somente nos casos de câncer de próstata, pulmão e sistema nervoso central. Temos dados que mostram que 93% dos serviços vinculados ao SUS têm capacidade de fazer radioterapia tridimensional. Nós fizemos um estudo que mostrou que o custo do tratamento bidimensional é muito próximo do tridimensional. Portanto, essa restrição administrativa que tem como base redução de custo não se sustenta. Apesar de termos levado nosso estudo para o Ministério da Saúde, as autoridades não se sensibilizaram.

Qual a relevância da radioterapia nas doenças oncológicas?

Dr. Arthur Accioly Rosa – A radioterapia está presente entre 50% e 60% das indicações de tratamento e muitas vezes é curativa, principalmente, em casos de diagnóstico precoce. Além disso, pode ser utilizada para aliviar sintomas de forma muito efetiva e duradoura.

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