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Dados de Qualidade de vida do NRG/RTOG 0415 confirmam que hipofracionamento de próstata deve ser considerado o novo padrão de tratamento

O NRG-RTOG 0415 foi um estudo de não-inferioridade de fase III, que comparou dois esquemas de fracionamento para homens com câncer de próstata de baixo risco.

1.092 homens dos Estados Unidos, Canadá e Suíça foram randomizados em um dos dois esquemas de tratamento. O primeiro grupo de tratamento recebeu Radioterapia convencional (RT-C), 73,8 Gy em 41 frações ao longo de 8,2 semanas. O Segundo, recebeu radioterapia hipofracionada (RT-H), 70 Gy em 28 frações ao longo de 5,6 semanas.

O estudo já havia sido publicado em 2016, mostrando não inferioridade em termos de sobrevida global e livre de doença. Nesta publicação do Jama Oncology foram reportados os dados de 962 pacientes, que consentiram em participar do estudo de qualidade de vida.

Os pacientes, em ambos os braços, foram analisados no início do estudo, 6, 12, 24 e 60 meses, através da avaliação de EPIC (Expanded Prostate Index Composite), para os domínios intestinal, urinário, sexual e hormonal, do Hopkins Symptom Composite (HSCL), medindo ansiedade e depressão, e o Eq5D, medindo qualidade e de vida (QOL). Não houve diferenças estatisticamente significativas nos braços em qualquer ponto para HSCL e Eq5D, bem como não houve diferenças no relato médico de três ou mais eventos adversos gastrintestinais ou geniturinários (EAs). Também não houve diferenças estatisticamente significativas no escore de mudança entre os braços em relação aos escores do domínio EPIC, exceto em 12 meses, com o braço RT-H, exibindo um declínio maior no domínio intestinal. No entanto, este declínio não atingiu o limiar de um tamanho de efeito de 0,5 para significância clínica, sendo considerado igual ao braço RT-C.

Estes dados são importantes para consolidar de vez o uso do hipofracionamento moderado no tratamento do câncer de próstata.

Já haviam diversos estudos mostrando equivalência em termos de eficácia e toxicidades, porém faltavam mais dados robustos reportados também pelos pacientes. Uma das queixas mais comuns dos pacientes que tratam próstata é o tempo de duração do tratamento que, com esses dados, já podemos reduzir quase pela metade o tempo de tratamento e, num futuro próximo, provavelmente, reduzir ainda mais utilizando dados mais maduros de SBRT, que devem ser publicados nos próximos anos.

Congresso SBRT 2019

RT 2030

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