Radioterapia para Ablação Cardíaca Não-Invasiva em Taquicardia Ventricular Persistente

A última edição do New England Journal of Medicine traz os interessantes resultados do trabalho feito
pelo nosso time na Washington University in St. Louis no uso da Radioterapia para Ablação Cardíaca Não-Invasiva em Taquicardia Ventricular Persistente. Liderados pelo Cardiologista Dr. Philip Cuculich e pelo Radio-Oncologista Dr. Clifford Robinson, o estudo avaliou a viabilidade da ablação de sítios arritmogênicos refratários com Radioterapia Estereotáxica Fracionada (SBRT).
O estudo foi realizado em 5 pacientes cardiopatas graves e o follow-up feito com leituras periódicas dos
dispositivos (ICDs) em cada paciente. A identificação da cicatriz arritmogênica foi realizada através da ressonância
magnética e do mapeamento eletrofisiológico não-invasivo. O planejamento da radioterapia deu-se de forma
cuidadosa, através de uma tomografia (free-breathing), onde um ITV foi identificado e uma margem de 5 mm foi
criada (= PTV). A dose de 25 Gy em uma única fração foi entregue em não mais que 18 minutos. Todos os pacientes permaneceram acordados durante o procedimento. SBRT foi realizada no acelerador linear Varian TrueBeam®, contando com um rigoroso protocolo de controle de qualidade, imagem e posicionamento. No período de 3 meses antes do tratamento, 6577 episódios de TV foram registrados combinando todos os pacientes. Após a ablação, uma redução de aproximadamente 90% foi vista, sem alterações funcionais significativas.
Entretanto, por mais animadores que sejam os resultados deste trabalho, a ablação cardíaca com SBRT
deve ser vista com muita cautela. Não obstante a cuidadosa seleção dos pacientes e do difícil
mapeamento/identificação dos sítios arritmogênicos, a qualidade do posicionamento e entrega da radioterapia é
essencial para o procedimento, evitando possíveis danos não desejados a estruturas adjacentes.
Assim, a publicação traz uma atraente nova etapa para a radioterapia moderna. Pacientes de manejo
complicado ganham esperanças de menor fardo clinico e melhor manutenção de sua cardiopatia. Novos estudos
estão em andamento afim de trazer substrato na segurança dessa modalidade terapêutica.

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Daniel Przybysz, M.D.
Radiation Oncology Fellow
Siteman Cancer Center
Washington University in St. Louis
d.przybysz@wustl.edu

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